Saúde e educação: desafios deixados por Mamoru num legado nada animador

Próximo prefeito de Itaquá encontrará um legado deixado por Mamoru nada animador. Foto: Divulgação

 

Por Jéssica Lima

Especial para o Gazeta

 

Itaquá_ABRE_Cirurgias Mamoru - foto 1 @osvaldobirkeO prefeito da próxima gestão de Itaquaquecetuba vai encarar um grande desafio graças ao péssimo desempenho da cidade no que diz respeito à saúde e educação. Este será o legado do atual prefeito, Mamoru Nakashima (PSDB). Isso é o que diz o Ranking de Eficiência dos Municípios, realizado pelo jornal Folha de S. Paulo, que mostra os investimentos em saúde, educação e saneamento nos municípios.

Entre todos os 5.570 municípios avaliados do País, a cidade de Itaquaquecetuba teve a pior colocação entre os dez municípios do Alto Tietê e ficou na posição de 4.267. Quanto maior o número, menos eficiente a cidade é considerada. Guararema teve o segundo pior desempenho e ficou em 3.817. Já as melhores foram Biritiba Mirim, na posição 483, e Poá no número de 1.041.

As únicas cidades que ficaram abaixo da média indicada na área de educação (0,509) foram Salesópolis (0,366), seguida de Itaquaquecetuba (0,428). As duas possuem respectivamente apenas 10 e 15% das crianças de 0 a três anos na escola. Já de quatro a cinco anos, 65 e 69%. Oito municípios ficaram acima da média e os melhores resultados foram de Guararema (0,684) e Poá (0,607). Mogi das Cruzes tem o maior número de crianças de 0 a três anos na escola, com 33%, seguida de Poá com 26%.

Já em saúde, a situação se inverte: apenas Biritiba Mirim (0,552) e Salesópolis (0,521) ficaram acima da média indicada de 0,500 com cobertura de 100% em atenção básica. Os outros municípios ficaram abaixo, com destaque a Ferraz de Vasconcelos (0,114) e Itaquá (0,137), que tem a mesma cobertura citada em apenas 17 e 25%, respectivamente. Quanto à quantidade de médicos, Itaquá, Salesópolis e Arujá possuem a média de 0,3 para cada mil habitantes, ou seja, não chega a ter um médico. Poá e Guararema possuem 1,3 e 1,2.

O ranking também aponta que o gasto com educação (39%) em Itaquá é desproporcional ao da saúde (17%), como em Ferraz de Vasconcelos, se comparado às demais cidades. Já o município de Santa Isabel é o que mais conseguiu equilibrar os gastos e deixou 35% em educação e 28% em saúde, resultado parecido com o de Biritiba Mirim.

 

Saneamento básico

Em saneamento, na avaliação como um todo, as dez cidades do Alto Tietê ficaram acima da média, com alguns problemas pontuais em atendimento de água para apenas 63% da cidade de Salesópolis e 66% em Biritiba Mirim. Além disso, Guararema tem só 44% da cidade com cobertura de esgoto, assim como Santa Isabel e Salesópolis possuem 55%.

 

Ineficiência é marca de Itaquá

Os dados apresentados pelo portal Nexo junto ao Centro de Estudos da Metrópole mostram que Itaquaquecetuba é a cidade que menos gasta com educação, saúde, administração, transporte, assistência social, lazer e cultura dentre as demais avaliadas.

Em contrapartida, é o município que menos recebe repasse da União, principalmente em educação e saúde, como mostra a plataforma Repasse, desenvolvida por pesquisadores da USP e da UFABC. O valor destinado a Itaquá chega a ser de R$ 311,09 por habitante, diante dos R$ 2.522,28 que é repassado a Guararema. No ranking feito pela plataforma, de quem mais recebe esse repasse, uma cidade fica na posição de 5.509 e a outra em 469.

Itaquá e Biritiba Mirim também são os municípios que menos geram receita sobre Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Serviços (ISS), Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), além de outras taxas (água, luz, etc.) ou mesmo repasses realizados pelo governo estadual referente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Segundo dados levantados pelo portal Meu Município, a receita per capita de Itaquá é de R$ 258,13 e de Biritiba é R$ 146,55, diante de Poá que tem receita de R$ 1.900,45 e Guararema de R$ 799,35.

Vale lembrar que Itaquá é a segunda cidade mais populosa do Alto Tietê, com 356 mil habitantes, segundo dados do IBGE 2016, e que apesar do “calcanhar de Aquiles” ser saúde e educação, a administração das demais áreas também precisam serem contempladas por um plano de governo que encare a situação com outros olhos e por uma nova perspectiva.