Sinal dos tempos: abrir mão de quase R$ 3 milhões

Da Redação / Arte: André Jesus

O provedor da Santa Casa de Misericórdia de Ilhabela, Júlio Cezar de Tullio, revela o lado bom do que é e pode ser todo administrador, seja ele do setor privado ou público. Cabendo a ressalva que esse perfil está em falta, talvez sempre tenha faltado, no setor público, uma pessoa do caráter do cidadão que está na liderança da provedoria da instituição septuagenária.

Tullio surpreendeu a reportagem – qualquer um se surpreenderia com o posicionamento dele – ao enfatizar que a Santa Casa mantém um convênio com a Prefeitura de Ilhabela fixado em R$ 9 milhões, e que esse dinheiro, nas palavras dele, é mais do que o suficiente para a entidade desenvolver os trabalhos destinados à população.

Por conta disso, o provedor disse que pretende a redução do convênio, calculando que o valor de R$ 6,5 milhões é suficiente para a instituição dar cabo dos serviços. Caso tenha sucesso no seu intento, que passa a centenas de quilômetros de distância de tudo que passa na cabeça de administradores do dinheiro público, o Brasil melhoria muito.

A cultura da apropriação das finanças públicas – popularmente chamada de roubo – está incrustrada no comportamento dos políticos brasileiros. São raras as exceções e encontrá-las e tão fácil quanto localizar uma agulha num palheiro.

Entre tantos outros administradores do dinheiro público que lhe caem nas mãos, Cezar de Tullio pode ser considerado uma exceção. Ele é a agulha no palheiro que tanto faz falta na política nacional e sua posição é um exemplo tanto para administradores já no exercício das atividades como para aqueles que querem entrar nesse mundo perigoso de “mexer” com o dinheiro do povo.

Algumas – muitas – pessoas vão achar que o provedor não está batendo bem das ideias, que é um louco. Outros pensarão que ele só quer aparecer “bem na foto”. Mas têm aqueles que entenderão que o Brasil precisa que existam mais loucos iguais a esse.

Gazeta Regional

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