Sonho da casa própria se torna pesadelo para famílias carentes de Itaquá

Construtora diz que atende as reivindicações que são repassadas, mas a realidade mostra outra situação. Moradores reclamam. 

 

Por Aristides Barros / Foto: Bruno Arib

 

Os moradores dos três blocos de apartamentos do Conjunto Residencial Lebani, no Jardim Campo Limpo, em Itaquaquecetuba, tiveram o sonho transformado em pesadelo e a vida em tormento, desde janeiro deste ano, quando foram morar no empreendimento imobiliário do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, destinado às famílias de baixa renda.

No local, as infiltrações provocadas pela água da chuva ocasionam a perda de móveis e deixam a maioria dos apartamentos alagados, fazendo com que todos revivam uma situação enfrentada quando estavam em áreas de risco, de onde foram retirados sob a promessa de ir para um lugar melhor. “Aqui está pior, a gente paga condomínio e a prestação do apartamento e não melhora nada. Logo quando entrei no meu ele já estava todo alagado”, revelou o autônomo Aluísio Cláudio Ferraz da Silva, 58 anos, que é a cara da revolta.

A empregada doméstica Silvana Maria da Costa Vieira, 40, e o seu marido, o vigilante Naldo Lopes Vieira, 40 anos, engrossam a lista de descontentes. “Na noite de domingo (4) em estávamos na igreja, em Guarulhos, quando fomos avisados que a água tinha invadido o apartamento”, disse o vigilante.

Chegamos e a água estava jorrando pelo telhado, perdemos quase todos os móveis da casa. Passamos a noite inteira tirando a água com rodo”, contou a esposa. “Agora estamos dividindo o quarto com nossos dois filhos, pois perdemos o colchão”, relatou o marido. O casal teme que o teto desabe sobre todos. “O sonho da casa própria se tornou um pesadelo”, lamenta o casal, cujo apartamento fica no último andar do bloco 1 do Lebani I.

A manicure Maria Idalina Rodrigues, 43, assinala. “Antes da entrega dos apartamentos nós já sabíamos desse problema de infiltração nos blocos. Portanto, houve tempo suficiente para que a empresa entregasse o meu imóvel em perfeitas condições, pois vou pagar por ele, não é de graça”, pondera.
Destaca-se que teria ocorrido um atraso de mais de um ano para que os apartamentos fossem entregues aos moradores, mas a entrega oficial aconteceu em 20 de dezembro de 2017. Os preços das prestações dos apartamentos variam entre R$ 80 e R$ 270 e a taxa de condomínio cobrada dos moradores é de R$ 145.

A analista de crédito Aleksandra Cosmo da Silva, 39, observa. “Queremos que a empresa agilize a averiguação dos prédios, pois é o nosso direito como consumidores. Somos de baixa renda, portanto, não temos condições de arcar com o prejuízo pelo qual não somos culpados.”

 

NORMAL – Outro casal, a recepcionista Gislaine Gomes Rodrigues, 24, e o farmacêutico Maxuel Camilo, 25, farmacêutico, que têm dois filhos, falou à reportagem. “O apartamento foi entregue em dezembro do ano passado, mas não mudamos até agora porque o piso de um dos quartos está estufado, parece que o chão vai afundar a qualquer momento”, disse Gislaine. “Já pagamos duas parcelas e dois condomínios, mas até agora nada. O pior é que se trocarmos o piso utilizado pela construtora perderemos a garantia”, pontua Camilo. Segundo eles, a Enplan já foi notificada diversas vezes. A empresa, que é a responsável pela construção do empreendimento, informou ao casal que ainda não tem o piso utilizado na obra para reparar o dano.

A auxiliar de produção Denise da Silva Lima, 28, historia. “Já se passaram três dias após a chuva e a água continua escorrendo do teto”. Ao fazer isso, ela apontou para a água empossada dentro do apartamento. “Mesmo assim o funcionário da Enplan disse que a situação aqui é normal”, conclui. Recentemente, Denise deu à luz e está de resguardo, o que aumenta seus problemas no imóvel.
A ambulante Aceli Istosq, 54, reclamou do esgoto que, correndo a céu aberto, “leva” um cheiro insuportável para sua moradia. “Vivemos em uma prisão. Tenho de deixar as janelas fechadas para não precisar conviver com varejeira dentro de casa, o cheiro não tem como impedir de entrar”, finalizou.

 

RESPOSTA DA EMPRESA

A reportagem indagou a empresa sobre os problemas do Residencial Lebani. A resposta segue na íntegra: “A Enplan esclarece que atende todas as reclamações recebidas através da ouvidoria da Caixa Econômica Federal, que são prontamente vistoriadas e corrigidas quando compreende as garantias legais do imóvel. Esclarece também que utiliza em todas as suas obras materiais certificados e de qualidade, e mão de obra especializada. A equipe técnica já foi enviada ao local das solicitações.”

 

 




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