Suzanenses criticam tapa-buracos

Massa fria utilizada nas operações de revitalização da malha viária é mal avaliada por moradores

 

Por Lailson Nascimento / Fotos: Bruno Arib

 

“O serviço começou bem, estava passando por todos os bairros, mas de repente os caminhões sumiram. Eram caminhões modernos, equipados, mas agora não se vê nenhum deles.” Esta é a opinião de moradores de Suzano sobre o serviço de tapa-buracos na cidade.

Segundo entrevistados, o volume de operações de conservação e revitalização urbana diminuiu desde que o governo Rodrigo Ashiuchi (PR) decidiu repassar a responsabilidade para as equipes da Secretaria Municipal de Manutenção e Serviços Urbanos.

Iniciado em maio, o trabalho da prefeitura começou pelo bairro Jardim das Flores, onde mora a autônoma Ana Paula da Silva Rosa, de 29 anos. Segundo ela, a comunidade só recebeu o serviço de tapa-buracos por conta da insistência de seu pai junto à prefeitura. “Mas aí usaram esse asfalto frio, que já começou a esfarelar”, reclamou.

 

CONTRATO – A crítica de Ana está relacionada à qualidade do material utilizado pela prefeitura. Se antes a administração municipal realizava as operações tapa-buraco com concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ) – a popular massa asfáltica quente -, hoje a Pasta de Manutenção e Serviços Urbanos fabrica a sua própria matéria prima, que é conhecida como massa fria. O material é produzido na usina de asfalto da administração municipal.

Procurado para comentar sobre as diferenças entre os dois tipos de asfalto para recapeamento, o engenheiro civil Neldir Ferreira Rocha foi taxativo: “A massa fria pode até sair mais barato para a prefeitura, mas a durabilidade em relação ao material quente é bem inferior.”

Ainda segundo Rocha, a massa fria só deve ser utilizada em casos de emergência, em pequenos buracos. “A durabilidade também vai depender da aplicação de produtos que garantam a liga entre o asfalto velho e a massa nova. É por isso que, em alguns casos, o asfalto se deteriora em um curto espaço de tempo, ou seja, não há a preocupação com a liga.”

Questionada se vai renovar o contrato com a empresa que até então utilizava massa quente, a administração municipal apenas informou que a contratação “encontra-se em seu final”.

Gazeta Regional

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