UNEafro Itaquá comemora 10 anos

“Comecei sem perspectiva e, graças à UNEafro, fui aprovado nos vestibulares que prestei”, diz ex-aluno

  

Por Giovanna Figueiredo / Foto: Divulgação 

  

O cursinho pré-vestibular UNEafro de Itaquaquecetuba completou, no mês de março, 10 anos de atuação na cidade. Nesse tempo cerca de 2,5 mil pessoas já passaram pelo curso. Atualmente participam da formação 160 alunos, distribuídos em duas sedes, a primeira na OAB de Itaquá e a outra na Escola Estadual Professor Cícero Antonio de Sá Ramalho, no Monte Belo.

Douglas Rodrigues Barros, que é professor e um dos coordenadores do projeto, conta que tem uma relação umbilical com a UNEafro, a qual faz parte desde a fundação. “Comecei como um aluno sem perspectiva e graças a UNEafro fui aprovado em todos os vestibulares de universidades públicas que prestei: Unicamp, Unesp, Unifesp e UFSCAR, tornando-me, logo em seguida, professor do curso como tentativa de dar um retorno de minha conquista para a comunidade”, comentou o professor.

Ele conta também que entrou no curso sem entender seu papel social e lá aprendeu a se reconhecer como agente de transformação social. Douglas, que ministra filosofia para os alunos do cursinho, diz que a educação do Brasil é defasada e os cursos populares surgiram para suprir demandas que foram abandonadas pelo Estado.

“Ser professor de um curso como a UNEafro requer alguns desafios. A desnaturalização conteudista que é imposta pelo ensino médio no Estado. Em segundo lugar, precisamos levar em conta que estamos lutando contra um processo de segregação social que atende pelo nome de vestibular. Então, temos que orientar os estudantes da melhor maneira possível, trabalhando só conteúdos com uma perspectiva crítica. Nesse processo, vemos muitos saltos qualitativos e surpresas que nos fazem emocionar.”

Victória Alves, que entrou no curso em 2016 com o objetivo de prestar o vestibulinho da Etec (Escola Técnica Estadual) e conseguiu passar, hoje também se tornou uma das coordenadoras do cursinho.

“O cursinho foi e ainda é muito importante na minha formação, tanto intelectual, quanto social, pois além de ser um cursinho com conteúdos de vestibular, ele também instiga a formação política e o senso crítico dos alunos, em diversos temas, tais como a questão racial e periférica. Hoje, sigo no cursinho como coordenadora docente e ainda continuo como estudante. Parafraseando Nelson Mandela: ‘Sigo acreditando que a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo’”.

 




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