Usuários criticam Saúde de Arujá

Organizações Sociais de Saúde não resolvem o problema e ‘adoecem’ as finanças do município

  

Por Aristides Barros / Fotos: Bruno Arib / Reprodução 

  

O prefeito de Arujá, José Luiz Monteiro (MDB), apesar de ser médico, ainda não deu solução ao grave problema da área de Saúde do município, e incorre nos mesmos erros de seus antecessores ao terceirizar o serviço, entregando-o a empresas que lucram com a doença da cidade, sem, efetivamente, prestar um bom atendimento à população.

Desde que assumiu o governo, em janeiro de 2017, Monteiro já contratou duas empresas para realizar o serviço. Agora, e após os dois fracassos sucessivos, a prefeitura já está na terceira OSS (Organização Social de Saúde) visando conseguir o intento. O IDGT (Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social) é quem administra o PA (Pronto Atendimento) Central, a Maternidade Dalila Ferreira Barbosa e o PAM (Pronto Atendimento Médico) do Parque Rodrigo Barreto.

A sede do IDGT é na cidade de Caraguatatuba, no Litoral de São Paulo. O contrato com o instituto, no valor de R$ 27,1 milhões, tem duração de 12 meses, e determina que a empresa mantenha as unidades com médicos e demais profissionais de saúde.
As duas tentativas anteriores foram desastrosas.

Desestabilizaram a administração e abriram suspeitas de que o dinheiro dos cofres públicos aplicado na saúde escorre direto para os dutos da corrupção.

O recém-contratado IDGT entra no lugar do Instituto Inovação em Gestão Pública, que foi “varrido” de Arujá após várias denúncias de irregularidades e ocorrências graves. Entre elas o fechamento do PA Central por falta de médicos, em julho e setembro deste ano, fato que resultou na exoneração do secretário de Saúde da cidade, Messias Covre.

A OSS Inovação começou em março deste ano com contrato emergencial de três meses que, prorrogado, chegou a sete meses. Apesar das deficiências apresentadas, ela recebeu até o final de setembro cerca de R$ 17 milhões da prefeitura, segundo revelou a Câmara de Arujá.

Em uma “visita a um dos núcleos doentes” de Arujá – o PA Central – a GAZETA ouviu o drama de pessoas que vão ao local em busca de cura e saem sem achar o que procuravam, tendo de retornar.

“Na pediatria o atendimento está muito ruim. Levei minha filha e só aplicaram uma injeção, voltamos para casa. E já estou de volta porque ela não melhorou nada”, disse o ajudante geral Sérgio Leandro da Silvia, de 38 anos. Morador no bairro Retiro e chateado pelo constante “ir e vir” à unidade médica, o pai desabafou. “É difícil essa situação”. De acordo com ele, o atendimento no PA começou a ‘piorar” há aproximadamente um mês.

Em outra unidade de saúde, no Barreto, o atendimento deficitário chega a “dar nos nervos” de quem recorre ao PAM (Pronto Atendimento Médico). A dona de casa Iraildes Alexandre da Silva Souza, 56, era a expressão da revolta.

Ao ser indagada se o PAM presta um bom atendimento no bairro, ela respondeu: “Aqui era para ser uma UPA, tinha uma placa indicando isso, ‘falando’ que iria ter atendimento 24 horas. Só que agora nessa eleição tiraram a placa da UPA, colocaram a placa PAM, e o atendimento é das 7 às 19 horas. Tem dia que tem médico, tem dia que não tem, e o bairro todo esperava uma UPA, ficamos todos decepcionados”, afirmou.

   

Máfia da Saúde – A suspeita de que o dinheiro público de Arujá “adoece na saúde” veio na contratação do InSaúde (Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde), empresa que seria ligada à OS Vitale, uma organização desmantelada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) na Operação Ouro Verde. O grupo seria responsável por um esquema de propina pago a prefeitos e agentes públicos de várias cidades brasileiras para “contratar” empresas vinculadas a ela.

De acordo com apurações do Gaeco, o Insaúde seria uma das ramificações da Vitale. O InSaúde “aterrissou” na Prefeitura de Arujá em setembro de 2017, quando foi contratado pelo atual prefeito (Monteiro), que cancelou o contrato em fevereiro de 2018 depois que denúncias de corrupção vieram a público, na terceira fase da investigação criminal.

O fim do contrato com o InSaúde foi simultâneo à revelação bombástica de um dos diretores da Vitale preso na Operação Ouro Verde. Ele disse aos promotores do Gaeco que a Vitale pagava propina de R$ 10 mil para os prefeitos das cidades onde o grupo atuava. Nisso, citou Arujá como uma das “beneficiárias”.
Segundo o delator, a cidade estava na rota da propina e em “Arujá também ia ‘pro’ prefeito. Creio que ‘pro’ prefeito final porque lá tem história. Fica claro que o prefeito tinha conhecimento disso aí”, falou o delator.

BAND – TV tornou pública a denúncia

Indagada sobre o caso, a prefeitura emitiu nota à imprensa afirmando que a administração de Arujá cancelou o contrato após as denúncias contra o InSaúde, e que a prefeitura araujense nunca teve contrato com a Vitale.

O InSaúde geriu os Prontos Atendimentos (PAs) do Centro e do Parque Rodrigo Barreto e da Maternidade Municipal. O contrato era de R$ 28,3 milhões.




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