Vereador Pernoca é acusado de mandar distribuir fake news em Poá

“Jornal” divulgou que a licitação de merenda seria de cartas marcadas, com o processo já tendo a empresa vencedora

 

Por Aristides Barros / Foto: Divulgação

 

O vereador Diogo Pernoca (PSL) é um dos suspeitos de estar por trás da publicação Poá Hoje, um jornal apócrifo (clandestino) distribuído na semana passada em algumas regiões da cidade de Poá, com informações sobre uma suposta fraude que iria ocorrer na licitação da merenda escolar.

O parlamentar ficou na mira da investigação policial porque A.B.L., de 33 anos, morador em Ferraz de Vasconcelos, que foi surpreendido fazendo a distribuição do material, ao ser levado para delegacia disse aos policiais que foi contratado por seu vizinho – identificado apenas como Luiz – e outro rapaz de nome Pernoca – que pagariam a ele R$ 80, mais alimentação, para entregar o jornal em Poá. O caso se deu na segunda-feira (23), conforme Boletim de Ocorrência.         

Representantes do alto escalão da Prefeitura de Poá disseram que a distribuição do jornal não causa desgaste à administração municipal, “que trabalha de forma séria e transparente”. No entanto eles disseram que a publicação foi ofensiva à moral de dois secretários municipais (de Educação e da Fazenda) que tiveram seus nomes publicados na “reportagem”.

Quando o caso for esclarecido pela polícia os dois integrantes da equipe governista devem acionar judicialmente os autores da publicação, informou os representantes do governo municipal. “A licitação para a merenda escolar ainda está em fase inicial de processo e a prefeitura é séria e transparente em tudo o que faz”, repetiram.

 

O OUTRO LADO – Na noite de sexta-feira (27) a GAZETA tentou, sem sucesso, falar por telefone com o vereador Diogo Pernoca. Mas as ligações só “caiam” na caixa postal. No entanto, ele – segundo informações – já teria se pronunciado na sessão plenária da última terça-feira (24) subindo à tribuna da Câmara de Poá para alegar ser inocente.

Essa informação foi confirmada pelo vereador Toninho da Biblioteca (SD) que acrescentou que ao falar no Legislativo, Diogo Pernoca se mostrou nervoso, inclusive chegou a dizer que vai processar quem o relacionar ao caso.

Já Toninho da Biblioteca confirmou que levou o “jornal” ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) porque, conforme o apócrifo, o MP já estava de posse da suposta denúncia de fraude na licitação da merenda e a teria encaminhado ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). O vereador disse que o promotor que o atendeu rebateu a informação dizendo que nada nesse sentido havia chegado ao MP.     

A reportagem telefonou para o número estampado na capa do Poá Hoje, que seria o contato do jornal. A pessoa que atendeu a ligação e pediu para não ter seu nome divulgado disse que mora na Vila Leopoldina, em São Paulo, e que já vem recebendo diversas ligações no celular e por conta disso vai comprar outro “chip” para mudar o número, que está lhe trazendo vários incômodos.

 

Grupo Hoje nega ser autor de produção clandestina

Na mesma segunda-feira (23) quando ocorreu a apreensão do jornal falso a página Poá Hoje – que está em uma rede social – emitiu uma nota rebatendo que tenha sido a responsável pelo conteúdo “noticioso”. A nota segue na íntegra: “Através dessa nota oficial negamos de maneira veemente a autoria do jornal que foi distribuído nessa segunda-feira (23) com nossa marca. No material nossa marca foi usada sem nenhuma autorização e nós não avalizamos nenhum conteúdo que foi divulgado no mesmo. Estamos em contato com nosso jurídico e tomaremos todas as providências cabíveis”.

Os fundadores do Grupo Hoje de Comunicação – proprietários da marca Poá Hoje – Neusa Freitas e Valter Frazão afirmaram que fizeram um Boletim de Ocorrência sobre o fato e quando o caso for esclarecido, a empresa deverá acionar judicialmente os responsáveis pela publicação falsa e sua distribuição.




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *