A autópsia do Golpe

“Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer]”. Quem falou isso, em gravações telefônicas vazadas nesta semana de revelações bombásticas para a política nacional, foi o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, para o então senador Romero Jucá (PMDB), grande defensor do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

A “solução” a que se referia era uma forma de estancar a “sangria” causada pela operação Lava-Jato, da Polícia Federal, afastando a presidente Dilma e alçando ao posto seu vice, o peemedebista Michel Temer. Em outras palavras, barrar o avanço das investigações das quais eram alvo. “É um acordo, botar o Michel. Num grande acordo nacional”, continuou Machado. “Com o Supremo [STF], com tudo”, acrescentou Jucá, detalhe escandaloso que sugere a promiscuidade de relações do Judiciário no imbróglio. Como lidar com quem julga a si mesmo?

Em nova conversa vazada por Machado, esta com o cacique do PMDB Renan Calheiros, presidente do Senado Federal, o parlamentar diz que todos os juízes do Supremo estavam “putos” com Dilma. Motivo: dinheiro. O relato do presidente do Senado descreve o encontro de Dilma com o ministro do STF Ricardo Lewandowski, narrado por ela. “Ele só veio falar em dinheiro”, disse Dilma. “Isso é uma coisa inacreditável”, desabafou.

O paladino da Justiça, arauto da honestidade, Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, foi, pela enésima vez, citado em gravações. E citado como covarde e corrupto. O interlocutor de Jucá, o Machado, alertou que o tucano seria o “primeiro a ser comido”. “Quem não conhece o esquema do Aécio?” questionou a Jucá. Para Renan, Machado descreveu o neto de Tancredo como “O cara mais vulnerável do mundo”.

Se há algo revelado nas conversas vazadas nesta semana, é que o motivo do afastamento da presidente Dilma Rousseff foi tudo, menos o combate à corrupção. Os setores da população que antes se rebelaram contra o governo petista e a corrupção ostentam, agora, um silêncio ensurdecedor. Não se ouve o bater de panelas contra os corruptos que tomaram para si o Planalto.

 

Gazeta Regional

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