A elitização da miséria

Da Redação / Arte: André Jesus

O procurador de Justiça Leonardo Azeredo dos Santos, que reclamou do seu contracheque de R$ 24 mil classificando o valor de um “miserê”, aproveitou para chorar indagando: “Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil?”.

Após o desabafo ele se afastou do cargo e está sob licença médica. Ninguém, em Minas Gerais, vai estranhar se ver o pobre coitado enfrentando uma fila no SUS para marcar consulta afim de ver o estado de saúde em que se encontra.

O certo é que o desabafo – miserável em todos os sentidos – causou “comoção” entre os mais de 12 milhões de desempregados e milhares de assalariados, além de profissionais do magistério, entre outras classes, que ou não ganham nada, ou ‘ganham tão mal’ quando o procurador.

Essas mesmas pessoas que não se dão bem com os ganhos, apertam aqui e ali para viver, podem até ensinar o procurador a achar um meio de como viver com R$ 24 mil. Vale até fazer um livro de autoajuda sobre o assunto e endereça-lo a Santos, com a dedicatória “que Deus lhe ajude a viver com pouco, porque muito sem Deus não é nada.”

Ironias à parte como um profissional que trabalha para equilibrar os valores da sociedade, ao menos tentar equilibrar o senso de justiça vem com um desabafo desse que, no português claro, joga literalmente pra baixo todas as pessoas que não estão nessa faixa salarial.

Quem ganha pouco não pode nem se dar ao luxo de dizer que ganha uma miséria de salário, porque o procurador “taxou” a miséria salarial na casa do R$ 20 mil para cima. A pergunta ao procurador: “Como classificar as pessoas que ganham o salário mínimo?”.

A resposta virá de gente corajosa, ousada e que não tem tempo de ficar chorando, porque a fila anda.

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.