A força dos oligopólios e as alternativas que viram fake News – parte I

Por Gisleine Zarbiettis / Foto: Divulgação

Boatos, fofocas e mentiras sempre alimentaram os noticiários e foram usados pela política para direcionar a opinião pública. Com a revolução digital, os chamados “factoides” ganharam uma nova conotação e ampliaram seu poder de atuação convertendo-se não somente num instrumento de manipulação, mas em um negócio lucrativo. Hoje, criar fatos falsos nas plataformas digitais que remuneram por likes e curtidas pode render alguns bons “trocados” em questões de segundos.

Mas a problemática em torno das fake News, que eclodiram com o advento das redes sociais e em 2018 passaram a ser a nova moda do momento está entrelaçada a outros três problemas da sociedade contemporânea: a crise da democracia liberal, a força dos oligopólios da comunicação de massa e a desfiguração do papel da comunicação pública.

É notório que a concentração dos veículos de mídia ocorre em níveis escandalosos no Brasil e mistura igrejas, partidos e políticos – quem hoje detêm o controle das emissoras ou de redes de radiodifusão e, consequentemente, o poder da informação e de direcionamento da opinião pública.

O resultado disso é a relação promíscua entre proprietários de empresas de comunicação de massa e o Congresso Nacional, o que justifica a tentativa de inviabilizar a aprovação de um marco regulatório, instrumento capaz de evitar oligopólios e, principalmente, que a informação esteja nas mãos de igrejas e partidos políticos.

Sempre que o assunto vem à tona há um esforço exacerbado para interditar o debate e taxa-lo de censura. Mas ao contrário do que pregam, nas democracias mais avançadas o marco regulatório afastou possibilidades de censura e os abusos por parte de grupos empresariais que concentram o controle da comunicação de massa.

Gisleine Zarbiettis é jornalista e autora do livro “Memórias de Suzano”

Gazeta Regional

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