A força dos oligopólios e as alternativas que viram fake News – parte II

Por Gisleine Zarbiettis / Foto: Divulgação

Seria imaturo pensar que a internet romperia o estereótipo da comunicação de massa e quebraria as forças de resistência dos oligopólios na imposição e no direcionamento da massa em torno de seus interesses. É fato que a revolução digital estabeleceu novos formatos de relacionamento humano. Descentralizou a informação, aumentou o acesso a novas fontes e diminuiu o poder de influência da grande mídia.

Os formadores de opinião foram substituídos por líderes de opinião, oriundos de vários segmentos da sociedade e os tradicionais modelos de negócio faliram. A internet passou a atuar como grande mediadora da sociedade, o que impactou no aparelhamento das igrejas e partidos, na concentração da propriedade dos meios de comunicação de massa e na formação de monopólios e oligopólios.

Outras plataformas de distribuição de conteúdo, como Google e Facebook – hoje monopólios mundiais – ameaçaram os tradicionais veículos que antes detinham o controle da comunicação.

Todo cidadão passou a ser produtor de conteúdo e notícias passaram a ser intencionalmente fraudadas com fins políticos e comerciais. As fake news não começaram com o advento das redes sociais, mas com elas se tornaram um negócio lucrativo.

Ameaçados por esse novo modelo de difusão da comunicação, os oligopólios viram nas fake news uma oportunidade de oficializar o poder da Imprensa de massa e passaram a monopolizar o filtro para detecção de notícias falsas. É comum hoje em dia ouvirmos dizer que somente os veículos da mídia tradicional podem dar o veredicto sobre a veracidade das informações disseminadas nas redes.

Não à toa, hoje grandes empresas de comunicação encabeçam campanhas de combate às fake news como forma de criminalizar a mídia alternativa. Todos os veículos fora da linha ideológica da mídia tradicional, mesmo que prezem pelo ‘fact checking’, são tachados como propagadores de fake news. Fica o questionamento: estamos diante de notícias falsas ou de jornalismo falsificado?

Gisleine Zarbiettis é jornalista e autora do livro “Memórias de Suzano”

Gazeta Regional

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