‘A manutenção do parque industrial tem sido um grande desafio’, observa diretor do Ciesp

Para Francisco Caseiro, é preciso reduzir o Custo Brasil para o país atrair novos investimentos

Por Lailson Nascimento / Foto: Divulgação

Apesar do cenário de recuperação da indústria, o Ciesp Alto Tietê (Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano) entende que o cenário ainda é de incerteza. Em entrevista à GAZETA, o diretor da entidade regional, José Francisco da Silva Caseiro, observou que a situação tem afastado os planos de empresas para a instalações futuras e possíveis expansões. Confira os principais trechos da entrevista:

Gazeta Regional (GR): Depois de mais de um ano de pandemia, é possível se falar em recuperação da atividade industrial em um curto espaço de tempo?

Francisco Caseiro: Desde o último trimestre de 2020, alguns setores industriais têm reagido melhor e há um movimento de novas contratações e aumento da produção. No entanto, essa tendência não é geral. Uma das principais dificuldades enfrentadas pela indústria é a falta de matéria-prima e o fôlego financeiro para novos investimentos, mas há uma expectativa para uma retomada mais acelerada a partir do segundo trimestre. Esse cenário depende muito do controle da pandemia e também das ações macros, como um plano mais consistente de crescimento econômico e de avanços na reforma tributária, que reduziriam os custos e favoreceriam o ambiente de negócios.

(GR): É possível afirmar quanto, em porcentagem, Mogi já conseguiu explorar de seu potencial industrial?

Caseiro: Mogi das Cruzes conta com o segundo maior parque industrial da Região, são 533 indústrias (base de dados Rais/2019). O município tem parques industriais com potencial para receber novas empresas. A cidade está em uma localização privilegiada, próxima de importantes rodovias, como a Rodovia Presidente Dutra, Rodovia Tamoios e a Mogi-Bertioga. Além disso, o aeroporto de Guarulhos, segundo maior aeroporto da América Latina, e o Porto de Santos, ficam há poucos quilômetros de distância, o que reforça sua atratividade.

GR: As pessoas costumam comparar a atividade industrial do Alto Tietê com cidades como Jacareí, São José dos Campos e Taubaté e com o Grande ABC. Na opinião do Ciesp, quais são as vantagens e desvantagens dessa região para com as outras mencionadas acima?

Caseiro: Na área de abrangência do Ciesp, que conta com os municípios de Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano, são 2032 indústrias de transformação (base de dados Rais/2019). Nossa região tem uma excelente localização, que possibilita uma logística eficiente, o que atrai a atenção de investidores.

GR: Industriais do Alto Tietê afirmam que o ABC está em declínio, do ponto de vista da atividade. Isso é verdadeiro? O Alto Tietê tem condições de absorver as indústrias que estão saindo daquela região?

Caseiro: Cada região e parque industrial têm sua peculiaridade e seu perfil. Com os reflexos da pandemia de Covid-19, o momento é desafiador para todos os setores, incluindo a indústria. O Alto Tietê conta com diversas áreas industriais disponíveis, incluindo o distrito do Taboão, o que é um atrativo para novos investimentos.

Gazeta Regional

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