A ordem é só para matar. E vigiar e prender?

Da Redação / Arte: André Jesus

Guararema foi palco de uma matança geral de bandidos logo no início do mês de abril, quando um pelotão de ladrões formado por 25 criminosos tentou assaltar agências bancárias da cidade, onde ao menos foram mortos durante confronto, disse a polícia.

A ideia de segurança na cidade avaliada pelo número de mortes de marginais – acontecidas só no ataque ocorrido na madrugada de quinta-feira (4) de abril – seria suficiente para deixar outros criminosos mais cautelosos. Mas a realidade não é assim.

Números mostram que os 11 assaltantes mortos no confronto não eliminaram os casos de roubos e furtos na cidade, o que matematicamente revela que não é matando bandidos que se acaba com a criminalidade. A polícia pode matar sem dó e nem piedade e em seguida – para aliviar o estresse do gatilho – ir enxugando gelo, pra depois recomeçar a tarefa homicida.

O Mapa da Violência em Guararema aponta que de janeiro a julho deste ano ocorreram 70 ações criminosas entre roubos e furtos, o que pode ser considerado elevado quando apontado o número de habitantes da cidade, menos de 30 mil – menos três pessoas que passaram para a estatística de homicídios, é claro não incluindo os 11 mortos na ação policial da tentativa de roubos a banco.

Até se levar isso em consideração, pode se dizer que em apenas um dia a polícia matou mais em Guararema que os bandidos, independente se os mortos eram os próprios bandidos. Números não se discutem com argumentos e morte é morte.

Mas com relação aos que continuam vivos, e Oxalá são muitos, pergunta-se a finalidade de todo o aparato “cinematográfico” da cidade, centralizado no CSI, que tem câmeras de vigilância espalhadas por vários pontos de Guararema. Eles estão fixados só para ações de extrema urgência ou também “olham” delitos de menor potencial ofensivo, onde ao invés de matar os bandidos basta prendê-los numa ação mais inteligente e menos sangrenta.

Gazeta Regional

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