A política virou caso de polícia

Por Geraldo Rodrigues / Arte: Giovanna Figueiredo

A política, em ano de eleição, deixa de ser política, no seu sentido de origem, e significado, para a versão que se repete, no caso do Brasil, no período de dois anos.

Ideias, planos, propostas, programas de governo, tudo o que envolve uma eleição, não passam de discursos repetitivos, e o eleitor não se dá conta disso porque não tem memória para esse curto período de campanha, e porque lhe interessa uma única coisa: que vantagem ele vai levar nisso. E é disso, do levar vantagem, que se aproveitam os candidatos na disputa para cargos públicos. É impossível salgar e adoçar uma mesma água num mesmo copo.

O mesmo ocorre com os partidos ao Centro ou à Direita, e com partidos sem nenhuma definição quanto a sua posição nesse quadro, desde a cúpula nacional ao municipal, como em Bertioga, onde o prefeito Caio Matheus, do PSDB, manipulado por três assessores muito próximos dele, caiu de paraquedas, sem nenhuma identidade com o município.

Gastou uma fortuna para se eleger vereador e passou o mandato todo entretido na campanha para prefeito; perdeu na primeira tentativa, ganhou na segunda, passou três anos desaparecido e voltou no ano da eleição com uma série de obras eleitoreiras em pontos estratégicos visando enganar o eleitor para ganhar mais um mandato de quatro anos.

Mas o prefeito e seus três assessores parecem preocupados com a escolha do seu vice: tem que ser alguém de partido representativo, com um quadro de candidatos a vereador de prestígio e que, além da própria eleição, possam somar votos para a candidatura a prefeito. E aí vale tudo, mesmo com um vice, e parece que vai ser uma vice, que até então lhe era inconveniente, e que foi vice de seu adversário na eleição anterior.

Enfim, o que hoje se convencionou chamar de políticos também enganam uns aos outros, e por isso, depois de eleitos, brigam, se matam, são traídos, denunciados, cassados, e tudo acaba em processos judiciais e no noticiário policial, envolvendo, inclusive, líderes religiosos, que, falando em nome de Deus, jogam à lama o nome de Jesus.

Gazeta Regional

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