A terra é redonda e o sol é quadrado

Por Aristides Barros / Foto: Reprodução

Uma parte dos terraplanistas e outra boa parte de terredondistas – essa aceita porque dói menos – acordou com a notícia de que o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, acordou vendo o sol nascer quadrado. Acordou da mesma forma que as pessoas que colocaram o seu ex-patrão no poder acham que é a quadrunferência do nosso planeta.

A prisão do ex-ministro é um problema para Jair Bolsonaro que, como ex-militar, sabe que não se pode deixar um soldado ferido no campo de batalha. O soldado cai atirando e nessa posição as balas saem a esmo.

Deixar o ex-ministro solitário no amargor do cárcere pode trazer gosto idêntico ao homem que “colocava a cara no fogo” como forma de abonar o comportamento e postura ilibadas do ex-funcionário.

Ribeiro foi preso no arrasto das investigações iniciadas com a descoberta de um suposto favorecimento a pastores evangélicos infiltrados no alto escalão do governo federal, que davam verbas – com uma devida porção ficando para eles – a cada prefeito que visse e se interessasse no dinheiro público como algo privado e pessoal. A Bíblia ensina que a partilha é divina e roubar é diabólico.

Os supostos pastores teriam se servido da proximidade com o ex-ministro e enveredaram pelas trilhas infernais para obter o dinheiro público. Contou-se à época do escândalo que abalou as igrejas que um pastor pedia a propina em peso e valor.

“Dê a mim um quilo de ouro e eu vos darei a verba”. Era a senha para quem presta-se a se fartar com o dinheiro público para pegar a sua parte. A coisa ficou tão feia e pesada que nem Deus gostaria de ver o que dignos homens que falam em seu nome nos púlpitos levassem aquilo adiante.

Como tudo o que é oculto será descoberto, a casa caiu para todo mundo. E agora o escândalo entra naquela fase do salve-se quem puder. A alma do ex-ministro já arde na cela da Polícia Federal. E dizem que lá sempre cabe mais um.

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