Abandono e mortes das Marias da Penha    

A lei data de 7/8/2006, mas o morticínio e trucidamento de mulheres seguem “normalmente”. Apanham, são humilhadas e mortas em casa, na rua, no trabalho, à revelia, como se não existisse um antes e um depois da lei.

A bestialidade revela que monstros independem de sexo. O sentimento de domínio do forte sobre o fraco é doentio e age como quer, os cruéis se alimentam de sofrimento. As juízas Clarice Maria de Andrade e Joana Ribeiro Zimmer mostram que a maldade contra as mulheres não é exclusividade dos homens.

A primeira, no Pará, deixou uma menina de 15 anos por 26 dias numa cela com 30 homens, que fizeram com ela o que quiseram. A segunda, em Santa Catarina, não consentiu uma menina de 11 anos – vítima de estupro – abortar o bebê, isto é, impediu a criança de abortar outra.

À exceção das duas juízas, mulher que se entende como ser humano vê que o estupro é a violência mais avassaladora e traumática contra uma mulher. Fora ele, a morte é a violência maior.

No campo masculino, em São Paulo, o espancamento do procurador Demétrius Oliveira Macedo contra a procuradora Gabriela Samadello Monteiro de Barros e o assassinato da gestante Cíntia Silva dos Santos, cujo corpo foi deixado dentro de uma mala, em Mogi das Cruzes, prosseguem com o holocausto.

Os casos evidenciam que, em alguns deles, as pernas poderiam ser abertas para essas coisas violentas serem expelidas dos corpos. Todos eles ilustram muitas Marias da Penha ainda à espera de serem livradas do martírio e da morte.

Gazeta Regional

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