Abuso do poder religioso

Por Arthur Rollo / Arte: Giovanna Figueiredo

O abuso do poder religioso não é uma invenção do momento, para perseguir o Presidente da República ou sua bancada de evangélicos. Vem sendo discutido nas Cortes eleitorais do país há, pelo menos, cinco anos.

Antes mesmo da proibição de doações empresariais para as campanhas eleitorais existia a vedação do recebimento de doações originárias de Governos estrangeiros, sindicatos, igrejas, concessionárias e permissionárias de serviços públicos, entre outros. A preocupação, abstrata na lei, com o uso indevido de recursos das igrejas nas campanhas eleitorais existe, portanto, desde 1997.

As igrejas são beneficiadas por isenções e abatimentos fiscais, em virtude da importância social que possuem. A religião conforta, melhora as pessoas e reduz conflitos sociais, sem falar que determinadas igrejas produzem inegável trabalho social. A liberdade de culto religioso é direito fundamental do ser humano e inerente a uma existência digna.

Todavia, não é incomum a utilização indevida de uma igreja para ludibriar as pessoas, para enriquecer indevidamente seus líderes e para burlar o pagamento de impostos. Desvios acontecem em todas as sendas e não seria diferente no meio religioso.

A Justiça Eleitoral e as leis eleitorais têm o objetivo de permitir que a vontade do eleitor, livre e consciente, seja captada pelas urnas, sem quaisquer influências perniciosas, como do abuso dos meios de comunicação social, do abuso do poder econômico, do abuso do poder político e, mais recentemente, do abuso do poder religioso.

O líder religioso é, antes de tudo, cidadão. Tem ampla liberdade de se expressar, de argumentar, de tentar convencer os demais e de propalar suas intenções de voto. Deve fazê-lo, no entanto, desvestido da sua condição de líder religioso e desmunido da estrutura, financeira e material, que a igreja lhe proporciona, notadamente dos microfones.

Assim como os professores não podem fazer propaganda eleitoral nas escolas e faculdades, que como as igrejas são bens de uso comum para fins eleitorais, os líderes religiosos não podem pedir votos dentro das igrejas. Quem quiser que o faça da porta para a fora, porque quem vai a uma cerimônia religiosa vai buscando encontrar-se com Deus e não com o candidato.

Gazeta Regional

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