Águas revoltas

“Vivemos momentos tormentosos. Há que se fazer a travessia para tempos pacificados. Travessia em águas em revolto e cidadãos em revolta. Homens e mulheres estão nas praças pelos seus direitos e pelos seus interesses. Quer-se um Brasil mais justo e é imprescindível que o construamos. Cansamos de sermos País de um futuro que não chega nunca. O futuro é hoje e há de ser construído pela união de todos, com direito às diferenças e respeito à identidade de cada um.”

Este foi o duro discurso contra a corrupção no País que a ministra Cármen Lúcia fez ao assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). E olha que ela não passou pelo Alto Tietê, principalmente Itaquaquecetuba, uma terra onde um dos secretários do governo Mamoru Nakashima é investigado por fazer parte de uma milícia dentro da GCM. Caso tivesse passado por estas bandas, o discurso, que já foi duro, seria ainda eloquente.

Os “momentos tormentosos”, citado por Cármen Lucia, pode muito bem exemplificar o sentimento dos moradores de Itaquá, que até tentam “fazer a travessia para tempos pacificados”, porém, a caminhada fica ainda mais difícil quando um governo faz de tudo para que a população siga em “águas em revolto”.

Pobre itaquaquecetubense, que vê o grupo que deveria zelar pelo patrimônio público e a segurança dos cidadãos se envolver em um escândalo que poderá ter proporções nacionais. Mais uma do senhor Mamoru, que tentou transformar Itaquá em uma cidade sem lei, mas o povo, que “está nas praças pelos seus direitos e pelos seus interesses”, não deixou e com ajuda do jornal Gazeta Regional denunciou mais este caso que causa indignação a todos.

Agir conforme agiu o GCM, acusado de pegar o dinheiro de origem ilícito das mãos de uma criança, que mesmo com a pouca idade já enxerga um mundo sem nenhuma expectativa –  é o nível mais atroz da corrupção.

É verdade “que há de se fazer a travessia para tempos pacificados”, contudo, esta travessia será completa apenas se a população retirar da frente os obstáculos que insistem em permanecer, sendo que muitos destes obstáculos tendo nome e sobrenome, mas seguem impedindo que haja “tempos pacificados”.

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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