Alto comando da GCM de Itaquá é investigado por formação de milícia

Suposto crime praticado contra adolescente seria a chave para diversas suspeitas que recaem contra a alta hierarquia da GCM. Fotos: Divulgação

 

Por Lailson Nascimento

De Itaquá

 

Denúncia que envolve funcionários do alto escalão do governo do prefeito de Itaquaquecetuba, Mamoru Nakashima (PSDB), o Dr. Mamoru, foi recepcionada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e deve ter desdobramentos nas esferas competentes nas próximas semanas. Documento sigiloso ao qual o Gazeta Regional teve acesso com exclusividade dá conta de possíveis crimes praticados contra um adolescente, negligência do Conselho Tutelar e suposta formação de milícia dentro do alto comando da Guarda Civil Municipal (GCM). De acordo com o autor da denúncia, existem provas consistentes que asseguram a omissão e conivência de Dr. Mamoru no caso.

Por se tratar de procedimento sigiloso, a equipe de reportagem apenas apurou que a denúncia a ser investigada foi recebida pelo núcleo do Gaeco em Guarulhos e, então, teria sido remetida à Promotoria de Infância e Juventude do Ministério Público (MP) de Itaquaquecetuba. O órgão deve distribuir o procedimento aos Promotores Públicos da cidade.

Itaquá_ABRE_Cirurgias Mamoru - foto 1 @osvaldobirkePara acatar a denúncia, a Justiça teria levado em consideração a gravidade do caso, que teve início em crimes praticados contra adolescente e violação de seus direitos. Há, ainda, o fator relacionado à omissão e conivência do governo de Mamoru, já que funcionários do alto escalão e o próprio prefeito teriam conhecimento do caso desde 2015, mas preferiram ‘abafá-lo’.

Temendo por suas vidas, as partes prejudicadas já remeteram cópias do processo à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) e ao Ministério da Justiça, em razão dos desdobramentos.

 

Clima de terror

De acordo com o autor da denúncia, que conversou com a reportagem sob a condição de anonimato (para não atrapalhar as investigações), funcionários públicos estariam cansados do descaso da prefeitura e, por conta disso, procuraram o MP para garantir o cumprimento da lei.

Explicando que servidores passaram a serem perseguidos – alguns até afastados de suas funções -, após apresentarem denúncias cometidas dentro da administração municipal (inclusive a que é objeto de investigação do Gaeco), o comunicado feito à Justiça foi a maneira encontrada para evitar novos prejuízos aos próprios salários, já que alguns chegaram a ter valores descontados sem o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. “Estão agindo ao arrepio da lei e promovendo constrangimento a funcionários concursados que não compactuam com a ilegalidade e, principalmente, com a corrupção. Esses funcionários devem procurar a Vara da Fazenda Pública para que os descontos arbitrários e ilegais possam ser ressarcidos”, acrescentou.

Apesar do clima de terror, os servidores acreditam que, devido aos vários documentos entregues às autoridades competentes, o acompanhamento do MP deve cessar os abusos e a corrupção no município. “Engana-se que Itaquaquecetuba é terra sem lei. A improbidade deverá ser caracterizada pelas provas inquestionáveis, no aspecto da materialidade, e o caso poderá abrir portas para o esclarecimento de outros crimes, como o próprio assassinato do Riketa (ex-secretário de Cultura e Turismo de Itaquaquecetuba, Luiz Henrique Lima Vieira, assassinado em junho desse ano, no Parque Piratininga)”, concluiu.

 

Outro lado

Questionada, a Prefeitura de Itaquaquecetuba declarou que não recebeu qualquer notificação, bem como não tem qualquer conhecimento sobre tal investigação.

 

Gazeta Regional

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