Aos 459 anos, Itaquá tem metade da população em áreas irregulares

Estudo da própria prefeitura mostra que grande parte da população vive em zonas de vulnerabilidade social; situação expõe ao menos 16 mil famílias a riscos de inundações e deslizamentos de terra

Por Gabriel Dias / Fotos: Bruno Arib

Na data em que Itaquaquecetuba celebra seus 459 anos de fundação e 66 de emancipação político-administrativa, cerca de 250 mil famílias que vivem na cidade ainda estão em áreas irregulares. A informação, que é do secretário municipal de Habitação, Roberto Kimura, aponta que metade da população habita em zonas com algum tipo de vulnerabilidade social.

Dentro desta somatória existem cerca de 16 mil famílias e moradias que, segundo estudo de “contingenciamento” publicado em 2018, vivem em locais com grande potencial de desastres naturais, popularmente conhecidas como zonas de risco.

Dos 16 mil, 14 mil habitantes vivem em áreas com chances de fortes inundações. Esse é o caso da Vila Maria Augusta, onde famílias inteiras vivem com medo do Rio Tietê, que corta a frente de suas casas. “Toda vez que chove o rio sobe com a água até o pescoço”, contam moradores.

Além destes números, existem mais de mil moradias consideradas com alto nível de deslizamento de terra. Ao serem questionados se a prefeitura alguma vez implantou sistemas de alerta nos bairros, moradores dizem que não.

“A prefeitura nem aqui vem, muito menos o prefeito Mamoru [Nakashima, do PSDB]. Armando da Farmácia tem que voltar, só ele olha pela gente”, diz Jefferson Jesus, 32 anos, moradora da Maria Augusta.

EXTENSÃO – Na mira do estudo de áreas de risco estão alguns dos bairros: Maria Augusta, Vila Sônia, Marengo, Jardim Fiorelo, Cidade Kemel, Jardim Santa Helena, Jardim Guarani, Cidade Nova Louzada, Terra Prometida, Jardim Josely, Jardim Canaã e muitos outros.

“Enquanto Itaquá comemora seu aniversário, a gente aqui, do outro lado da cidade, chora por não ter onde morar e do pior que pode acontecer”, comenta Andressa Alves, moradora de área de risco na Vila Sônia.

SOLUÇÃO – Em todas as entrevistas, moradores das áreas consideradas de risco em Itaquá disseram que a prefeitura não apresenta planos de moradias, e por isso continuam nestes locais. Um dos lugares que poderia acolher a população é a Fazenda Albor, uma parceria do Governo do Estado com as cidades de Itaquaquecetuba, Arujá e Guarulhos.

O projeto, entretanto, passa por uma reavaliação do Estado, segundo o secretário de Itaquá, no entanto, sem previsão para acabar. “Na antiga gestão do secretário estadual de Habitação, Rodrigo Garcia, houve a PPP com projetos, no entanto, não progrediu. Já na atual gestão o projeto é revisto para ficar mais atrativo”, diz Kimura.

A GAZETA questionou o Estado, que não respondeu.

“Cidade realiza a regularização de áreas consideradas irregulares”

Roberto Kimura, secretário de Habitação

O QUE DIZ A PREFEITURA – Para Roberto Kimura, “a cidade realiza a regularização de áreas consideradas irregulares ao longo do município, no entanto, é um processo moroso, que depende de tempo”. A previsão, segundo o secertário, é que alguns núcleos irregulares sejam entregues com documentação aprovada entre o final de 2019 e o início de 2020.

Gazeta Regional

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