Auto Viação Suzano deve salários aos colaboradores de Santa Isabel

Com contrato de quase R$ 1 milhão por mês, empresa ‘abandona funcionários’

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

Depois de chegar a ser afastada do cargo por conta de supostas irregularidades cometidas contra a prefeitura, em conjunto com a empresa PEM – antiga concessionária do transporte público municipal -, a prefeita de Santa Isabel, Fábia Porto (PRTB), demonstra estar disposta a repetir o erro. Além de ter contratos emergenciais contestados pelo TCE-SP (Tribunal de Contas de São Paulo), a Auto Viação Suzano já iniciou a concessão de 15 anos devendo dois meses de salários para funcionários.

A denúncia sobre a dívida da empresa de transportes com pelo menos 36 colaboradores chegou esta semana ao conhecimento do vereador Reinaldo Nunes (Avante). Classificando a situação como “descaso com o transporte público de Santa Isabel”, o parlamentar chamou para si a responsabilidade de garantir os direitos dos motoristas e monitores afetados pela decisão unilateral da empresa – profissionais alegam que falta respaldo por parte da diretoria da empresa, além da própria prefeitura.

Na quarta-feira (6) o vereador recebeu uma comissão de funcionárias da Viação Suzano. Na ocasião, o grupo reclamou da falta dos últimos dois pagamentos, além do corte de cesta básica. Diante da situação, Reinaldo Nunes protestou.

“Eles estão passando dificuldades. Estão sem fazer compras, deixaram de pagar as contas de água e de luz. A empresa está cometendo diversas irregularidades. É um ato covarde da empresa e que o Executivo deveria fiscalizar.”

Após a reunião, o parlamentar acompanhou o grupo de monitoras até o Terminal Rodoviário Municipal, onde participou de uma entrevista transmitida ao vivo pela página que a GAZETA mantém no Facebook. No local ele encontrou outros problemas relacionados ao serviço prestado pela Viação Suzano.

“Os veículos dessa empresa estão em más condições. São carros velhos, com bancos quebrados, pneus carecas. Prometeram uma tecnologia que permitiria ao passageiro saber a localização dos ônibus, mas até agora só tem carroça circulando no município. Vamos ter que aguentar esse transporte por mais de 15 anos”, criticou.

Os ônibus encontrados no terminal tinham, em média, oito anos de uso, além de placas com origem no Estado do Rio de Janeiro.

Reinaldo lembrou, ainda, da redução de frota na cidade após o início da pandemia do novo coronavírus. Segundo o que a reportagem apurou, dos 16 ônibus exigidos em contrato, apenas cinco estão rodando na cidade.

“O povo não quer passear, todos querem trabalhar. Querem sair do ponto final do Cachoeira, vir para o Centro e, no final do dia, voltar para casa. Mas não estão conseguindo. As pessoas estão andando pelas rodovias, como é o caso daquelas que trafegam pela Estrada do Ouro Fino. Olha o risco de acidentes”, alertou.

Silêncio dos envolvidos

Procurado, o governo da prefeita Fábia Porto não se manifestou até o fechamento da edição, assim como a Auto Viação Suzano.

Gazeta Regional

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