Base do Samu é utilizada para a realização de consultas médicas

Participantes de programa da Secretaria de Esportes fizeram exames de aptidão física na base serviço de urgência. Foto: Divulgação   

 

Por Lailson Nascimento

Da Redação

 

Uma situação inusitada, ocorrida na segunda-feira (28), expôs a desorganização do atendimento público de saúde em Itaquaquecetuba. Fotos encaminhadas ao WhatsApp do Gazeta Regional denunciaram o atendimento médico de cerca de 200 pessoas realizados na base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do município.

De acordo com a denúncia, feita de forma anônima, a base foi tomada por pessoas que, inscritas em aulas de ginástica e zumba da Prefeitura, precisavam atestar suas condições físicas para participar do projeto. Para realizar os atendimentos, a administração municipal teria escalado o médico regulador da base, que teria deixado de exercer sua função (orientar os hospitais de destino das vítimas) para realizar as consultas.

 

Explicação

A vereadora Adriana Aparecida Felix (PSDB), a Adriana do Hospital, participou das atividades realizadas na base do Samu, e garantiu que não houve nada de ilegal.

“O médico que atendeu é da rede e não atua no Samu, mas sim, na UBS do Monte Belo. As consultas, por sua vez, se tratam da necessidade da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer em analisar quem está apto, fisicamente, para participar dos seus projetos. Como a maioria dos participantes trabalha, ficou definido que o médico daria atendimento após as 18 horas”, ponderou.

O jornal também procurou a administração municipal, para solicitar esclarecimentos sobre a legalidade das consultas realizadas na base do Samu, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

 

Conselho de Saúde                 

Procurado, o Conselho Municipal de Saúde respondeu que está tomando ciência do caso para decidir se fará questionamentos à Prefeitura.

Em entrevista, o conselheiro representante dos trabalhadores, Itamar Antônio Siqueira, aproveitou para falar das condições aos quais os profissionais de saúde são submetidos no sistema municipal. “No Samu, têm-se apenas uma ambulância operando, e de forma precária. O transporte sanitário também está bem deficitário. Na minha visão, a administração municipal está pouco se lixando para a Saúde em Itaquaquecetuba”, reclamou.

O conselheiro representante dos usuários, Florisvaldo da Silva, também relatou problemas envolvendo o sistema. “A Prefeitura não dá a mínima importância para quem quer ajudá-la a melhorar o sistema de saúde. Para se ter uma ideia, ela boicota a participação de seus conselheiros em reuniões mensais que o Conselho Municipal promove”.

A reclamação de Silva foi atestada pelo conselheiro Carlos Alberto Ribeiro, que também representa os usuários. “Estivemos, recentemente, no Fórum dos Conselhos Municipais de Saúde do Alto Tietê, o Forsalt. Lá, levamos ao conhecimento público as inúmeras dificuldades que Itaquá enfrenta para melhorar o sistema de saúde. Mas, infelizmente, nenhum representante do município participou do fórum”, lamentou.

Gazeta Regional

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