Bossal fala sobre o caos financeiro encontrado em Poá, que luta para melhorar o orçamento

Administração anterior desgraçou o município de ponta a ponta e ainda tentou buscar reeleição

Por Aristides Barros / Foto: Bruno Arib

O governo Marcia Bin (PSDB) trabalha duro para devolver a qualidade de vida que Poá tinha e foi bruscamente mudada com a saída do Itaú, que dava forte suporte econômico ao município. Em síntese, é o que diz em entrevista o secretário de Governo, Marcio Borzani, o Marcio Bossal.

O município, cujo orçamento é de R$ 300 milhões, apresenta déficit de R$ 120 milhões. “Perdemos mais de R$ 150 milhões”, falou, completando que, diante do caos, foi formada uma comissão com o alto escalão governista para avaliar a situação e partir para medidas que impactaram a cidade, mas precisaram ser adotadas.

“Estava inviável administrar Poá. Reduzimos valores de contratos em 25% para se adequar à nossa realidade atual”, disse. A baixa nos contratos com as terceirizadas foi sem dor.

Segundo Bossal, “o contrato da Americanet era de R$ 380 mil mensais e foi baixado para R$ 44 mil mensais; a coleta de lixo era quase R$ 900 mil mensais, reduzimos para R$ 680 mil mês. Os déficits com contratos somavam R$ 70 milhões. Não existe fórmula mágica para administrar um município endividado e, das heranças deixadas pelo governo anterior, até os funcionários comissionados demitidos foram pagos pela atual gestão. Estamos tocando com os recursos que a cidade tem. Poá está sem serviços de tapa-buracos, iluminação pública, obras de pavimentação”, ilustrou.

Tensão

O momento tenso ficou por conta da alteração nos salários dos funcionários públicos. “Fomos obrigados, se não já em setembro não teria pagamento para ninguém.”

O secretário assinala que a folha de pagamento da prefeitura consome 78% do orçamento e o restante, 40%, fica com a área da saúde. A dificuldade em fechar as contas resultou na demissão de funcionários comissionados e aposentados, e as reações foram tão fortes quantos as medidas duras. “Fomos obrigados a fazer os cortes, não fizemos porque queríamos. Só não ‘mechemos’ na saúde”, disse.
As medidas deram um fôlego nas finanças.

“A folha, que estava 72% comprometida, hoje está em 66%, e até o final do ano a previsão é de que baixe para 56%. E, ainda assim, não vamos chegar aonde precisamos para não ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal”, detalhou.

Ele disse que as empresas que tiveram os contratos reduzidos entenderam a situação e estão sendo parceiras. “No ano que vem, a ‘casa’ vai estar em ordem e vamos melhorar a situação da cidade e da população”, assegura o secretário.

Estado não quis ajudar e aconselhou fechamento do hospital municipal

A desativação do hospital que depois foi “transformado” em PA (Pronto Atendimento) foi outra decisão dura.

“Foi muito difícil, o recurso federal destinado ao hospital é de R$ 300 mil por mês e a unidade tem custo de R$ 5 milhões mensais. Tentamos verbas do Estado, mas o próprio secretário estadual de Saúde disse que não destinaria verba para o hospital e aconselhou que fechássemos. Mas como fechar um hospital num tempo de pandemia? Então optamos pelo PA, que só não tem internação. Os pacientes entram e depois são transferidos para outros hospitais. Houve cortes de horas extras de funcionários, que depois passaram a ‘sabotar’ a administração, porque tem gente que ao invés de ajudar, procura piorar ainda mais a situação”, criticou o secretário de Governo, Marcio Borzani, o Marcio Bossal.

Ele fez uma revelação: disse que a dramaticidade do momento gerou indagação dentro do próprio setor governista. “O nosso Jurídico visualizou que as medidas enérgicas iriam soar como impopulares e chegou a indagar se a administração iria adotá-las. ‘Vão fazer isso, vocês têm coragem de fazer isso?’ Mas tinha de ser feito, para a cidade conseguir ir adiante”, concluiu

Gazeta Regional

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