Coletivo realiza pesquisa sobre população trans do Alto Tietê

Iniciado neste mês de agosto, TransCenso tem como objetivo mapear as demandas de transexuais e travestis nas cidades da região

Por Guilherme Alferes / Foto: Reprodução

Desde a última segunda-feira (1), o coletivo Diversidade Alto Tietê está realizando o TransCenso, um levantamento de dados referentes a pessoas transexuais e travestis da região. O formulário, que pode ser acessado pelo link abaixo, contém perguntas relacionadas principalmente às questões de empregabilidade e o atendimento recebido em serviços de saúde.

RESPONDA O FORMULÁRIO PELO LINK: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSc3ImQgMYu4TTSVFMTrFFcKdh6x2LQMvYIC43GD3lBExe8SpA/viewform?usp=sf_link

O grupo foi formado há cerca de um mês e, por ter a preocupação de debater os problemas com seriedade, está promovendo o TransCenso com o objetivo de coletar informações sólidas o suficiente para apresentar – e cobrar – soluções de acordo com as demandas de cada cidade.

“Às vezes o principal problema de Mogi é a empregabilidade, por exemplo, mas o de Poá pode ser a saúde. Então, esse levantamento é importante para que a gente tenha embasamento para apresentar propostas concretas e cobrar o poder público”, explicou Ewerton Nascimento, representante da entidade.

Ele acrescenta que, dentre as questões já discutidas, está a demanda por serviços públicos de saúde específicos para pessoas trans, como o AME PRO TRANS (Ambulatório Especializado no Processo Transexualizador) de Guarulhos, que, mesmo sendo o mais próximo das cidades do Alto Tietê, é inacessível para grande parte dessa população, ainda mais ressaltando a dificuldade que transexuais e travestis têm de se inserir no mercado formal de trabalho.

“A gente sabe dos problemas da saúde pública no Brasil também para pessoas cis [que se identificam com seu gênero de nascimento], mas para pessoas trans acaba sendo mais dificultoso e trabalhoso”, disse Ewerton, que exemplificou: “Um homem trans ainda precisa de atendimento ginecológico, então imagina um homem trans, de barba, numa fila de um posto de saúde com mais 15 mulheres esperando uma consulta com ginecologista. Isso acaba sendo constrangedor e não tem uma política pública para esse homem trans”.

Em maio deste ano, o IBGE divulgou os dados da primeira pesquisa quantitativa realizada no Brasil sobre a população LGBTIA+, mostrando que pouco mais de 2% dos brasileiros, cerca de um milhão de pessoas, se autodeclara como parte da comunidade. Esse número foi considerado, inclusive por especialistas do próprio instituto, como subnotificado. Ewerton concorda.

“Chega a ser hilária essa estimativa do IBGE. Como pode ter apenas 1 milhão de pessoas no Brasil inteiro sendo que só na parada de São Paulo deste ano tinha cerca de 4 milhões de pessoas?”, indagou.

A teoria mais aceita pelos analistas para o fenômeno é a de que, pelas entrevistas terem sido realizadas de forma presencial, as pessoas podem não ter se sentido seguras para declarar a própria orientação sexual, com medo de retaliações por parte da família, por exemplo. Pelo TransCenso ser realizado de forma inteiramente virtual e não utilizar dados sensíveis, a expectativa do coletivo é de que haja uma sinceridade maior por parte de quem responde-lo.

Gazeta Regional

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