CPTM renova promessa de modernização da estação de trem em Mogi das Cruzes

Projeto faz parte do “Novo Centro” da cidade, cujas obras deveriam ter sido entregues em 2015; até agora, só os túneis

 

Por Giovanna Figueiredo / Foto: Bruno Arib 

 

Em fevereiro de 2012, foi anunciado pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e a Prefeitura de Mogi das Cruzes um investimento de R$ 140 milhões para obras nas estações da cidade. O prazo para término das obras era 2015, no entanto, mais de três anos já se passaram e apenas a passagem subterrânea para veículos foi entregue. A companhia estatal anunciou que a partir deste mês o projeto executivo da obra será desenvolvido.

O projeto apresentado na ocasião propunha um “Novo Centro” para Mogi, além de melhorias em todas as estações instaladas no município. O “Novo Centro” contaria com uma nova estação de trem, que seria interligada através de um mezanino ao Terminal Central de Ônibus, túnel para o trânsito de veículos, estacionamento, passagem de pedestres e um centro comercial.

A CPTM ficaria responsável pelos investimentos na nova estação, bem como a ligação com terminal e a prefeitura com a passagem subterrânea para veículos e pedestres, além do centro comercial e o estacionamento.

BARREIRAS – Cancelas atrapalham a mobilidade de pedestres

O projeto também contempla modernizações nas estações Braz Cubas e Jundiapeba. Já a estação Estudantes também receberia reforma e um túnel subterrâneo com ligação para o Terminal de Ônibus Estudantes e para a Rodoviária Geraldo Scavone.

As obras, que eram para ter sido entregues em 2015, em muitos pontos nem chegaram a iniciar. A CPTM informou que esperava recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para a modernização das estações, mas em 2016 o governo federal excluiu a modernização das estações do programa.

 

PEDESTRES RECLAMAM DA FALTA DE ACESSIBILIDADE

RECLAMAÇÕES – Pedestres têm dificuldades no local

Na estação Mogi das Cruzes, o trânsito de pedestres é um problema. Isso porquê a passagem dos pedestres pela Rua Cabo Diogo Oliver, tanto no sentido centro, quanto no sentido bairro, tem parada obrigatória junto à cancela da estação.

Antes da construção do Complexo Viário Jornalista Tirreno de San Biagio a situação era ainda pior, pois os transeuntes dividiam o espaço com os carros. No local havia uma passarela de ferro, que foi retirada pela prefeitura e até o momento nenhuma outra foi colocada. Além do tempo de espera, outro problema do local é a acessibilidade.

“Quem tem cadeira de rodas sofre pra passar aqui“
Jussara Soares, cadeirante

Jussara Soares, moradora do Mogilar, é cadeirante e passa com frequência pela cancela. Ela contou à reportagem que antes permitiam que ela passasse por uma espécie de ponte que há por cima dos trilhos da estação, mas que agora não permitem mais. “Quem tem cadeira de rodas como eu sofre para passar por aqui. Já estraguei uma cadeira, bateu a roda da frente e quebrou, essa que eu estou agora é emprestada. Falta acessibilidade”, comentou.

Outro morador da cidade, Willian Bastos Silvas, de 17 anos, relata que passa pelo local diariamente para ir ao trabalho e sempre encontra dificuldades.“Eu passo por aqui toda hora e a maioria das vezes está fechado e temos que ficar esperando. A reforma só melhorou para o motorista, para pedestre ainda está bem ruim”, desabafa.

Até quem não mora na cidade reclama da situação da passagem, como é o caso de Maria Rita, que é de Guaianazes. “Isso aqui está ruim, tem que ser uma coisa mais confortável. As vezes estamos atrasadas e temos que ficar esperando o trem passar. Tem também a questão da segurança”, disse.

 

O QUE DIZ O ESTADO – A GAZETA entrou em contato com a Companhia, que informou por meio de nota que desde maio as obras de adequação para acessibilidade da Estação Mogi das Cruzes estão em andamento. O serviço contempla instalação de rampas, pisos e mapas táteis, vaga de embarque e desembarque preferencial, rebaixamentos de calçada, entre outras coisas. O prazo de conclusão é o final deste ano.

A CPTM também informou que o projeto executivo de reconstrução da Estação Mogi será elaborado a partir deste mês, com prazo de 12 meses para conclusão. A nova unidade interligará os dois lados da ferrovia. Todas as obras de intervenções de acessibilidade e o projeto de reconstrução estão sendo realizados com recursos do Governo do Estado. A elaboração deste projeto deve custar em torno de R$ 1,5 milhão e a expectativa é de que a obra da nova estação mogiana exija investimentos da ordem de R$ 50 milhões.




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