D. Pedro no império da invisibilidade

Poucas pessoas souberam da morte solitária de Pedro Pinto Munhoz, 45 anos. E as poucas que souberam, pouco se importaram. Só não os seus amigos de rua, que igual a ele, encontrado morto ao lado da Catedral de Sant’Ana, em Mogi, também são cobertos pelo manto da invisibilidade.

É o que é a morte do Pedrinho, como era chamado o morador em situação de rua. Teria uma história de vida mais dramática que a de outros Pedros, Joões, Marias e Josés, que independentemente de situação de rua, ou não, vivem sob governos cujas medidas os empurram da pobreza para a miséria.

Pedrinho morreu, enterra! Um a menos para atrapalhar o trânsito de pedestres suplicando trocados, que também envergonha quem não tem um centavo para dar ao pedinte. O bolso vazio faz os ‘vergonhosos’ pensarem que não estão muito distantes daquela situação de penúria.

O Pedro morreu em frente à igreja católica. É um gesto sensato morrer num ‘local santo’ para chegar mais rápido no paraíso, depois de passar a vida se empanturrando de comer o pão amassado pelo rabo do diabo. O morto caído no passeio do prédio religioso ter ouvido nos últimos suspiros. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas”. Feliz ele!

Infelizes os Pedros, Joões, Marias e Josés, que morrem nos leitos e filas de hospitais, em situação de penúria pelo completo descaso de governos que vivem de enterrar a pobreza que está sob seus pés.

Gazeta Regional

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