Dia do Tietê: Vanderlon insiste nos royalties pela água: ‘A proteção do Tietê depende de recursos’

Junto à questão dos pedágios, um tema líquido monopoliza os debates do Alto Tietê 

Por Aristides Barros / Foto: Bruno Arib

A ideia de o Alto Tietê receber dinheiro pela água “estocada” nas represas de Taiaçupeba, Biritiba Mirim, Paraitinga e Ponte Nova, que abastecem as cidades da região metropolitana de São Paulo, ganhou forma nos estudos feitos pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) em parceria com a USP (Universidade de São Paulo).

Com a finalização do projeto é aguardada a posição do Comitê de Bacias do Alto Tietê para a Fipe e o Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê) fecharem a questão e apresentarem o estudo à Secretaria Estadual de Meio Ambiente para acontecer as tramitações visando que a lei seja aprovada. O projeto vai ser entregue ainda este ano ao Estado, mas ainda não tem data definida.

A longa explanação é do prefeito de Salesópolis, Vanderlon Gomes (PL), que insiste no pagamento de “royalties da água”. Segundo ele, a região está muito atrasada nessa questão e os municípios sofrem enquanto outras cidades paulistas desfrutam do que o Alto Tietê produz.

Ele diz que Salesópolis tem poucos recursos e não consegue fazer as ações necessárias para a proteção ideal do meio ambiente.

“Fazemos tudo dentro das nossas limitações para proteger os mananciais que produzem a água e devolvemos à sociedade. A gente protege, produz e não recebe por isso. Tendo a compensação financeira, faríamos um trabalho mais eficaz”, pontua.

“Agora, com a crise hídrica, a região metropolitana vai ser afetada e dará importância ao problema. Nós, em Salesópolis, seremos afetados, mas não tanto quanto outras cidades porque temos a água”, diz, se referindo às represas Ponte Nova e Paraitinga, ambas no município.

Vanderlon afirma que a questão dos pedágios monopoliza a atenção da região, mas a água supera pela sua importância para a humanidade. “Ninguém vive sem água.”

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O Rio Tietê também abastece a cidade de Mogi das Cruzes, que tem licença do Daee (Departamento de Água e Energia Elétrica), permitindo ao município captar 1.112 litros por segundo de água.Toda a captação acontece na Estação de Captação e Recalque de Água Bruta 2 (ECR-2), que fica na Estrada da Pedra de Afiar, no bairro Rio Acima.

Antes de ser destinada para o consumo da população, a água passa pelas ETA’s Centro e Leste (estação de tratamento de água), que estão sob a coordenação do Semae, que é responsável pelo saneamento básico de Mogi das Cruzes. Na ETA-Centro, a produção de água é em torno de 600 litros por segundo, e na ETA Leste é de 230 litros por segundo.

O diretor do Semae, João Jorge, explica que Mogi já se adianta no aumento da produção de água e, para isso, vai melhorar a capacidade da ETA-Centro e dobrar a capacidade da ETA-Leste. De acordo com ele, quando o trabalho estiver realizado, o Daee deve dar nova outorga ao município para ampliar a captação de agua. “Ela é essencial para toda a atividade econômica porque não existe atividade econômica sem água.”

Gazeta Regional

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