Dona de casa espera há mais de um ano por cirurgia na vesícula em Itaquaquecetuba

Saga da dona de casa, que costuma ser chamada de Rosa, teve início em novembro de 2014, quando começou a sentir dores do lado superior direito do abdômen e foi à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Foto: Divulgação

 

Por Jessica Lima

Especial para o Gazeta Regional

 

Rosangela Santos de Sena, de 43 anos, aguarda desde fevereiro de 2015 a realização de uma cirurgia na vesícula pelo Hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, cidade onde reside.

Mas a saga da dona de casa, que costuma ser chamada de Rosa, teve início em novembro de 2014, quando começou a sentir dores do lado superior direito do abdômen e foi à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Depois de ser medicada, ela recebeu o encaminhamento para a Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Paineira.

Rosa quis se prevenir e realizou um ultrassom antes da consulta para sair de lá com um diagnóstico. Em fevereiro de 2015, a médica constatou que ela estava com cálculo biliar, conhecido como pedra na vesícula.

Foi solicitado que ela realizasse os exames pré-operatórios que são: hemograma, coleta de urina, eletrocardiograma (ECG) e radiografia do tórax. Junto, também foi feito o pedido de agendamento da cirurgia.

Em novembro do ano passado, com os exames em mãos realizados no Hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba, Rosa passou em consulta com o gastroenterolista da unidade, que realizaria sua cirurgia. Mas ao invés de fazer o agendamento, o médico cirurgião pediu a ela que aguardasse o contato da Secretaria Estadual de Saúde, o que não ocorreu.

A vesícula biliar é uma pequena bolsa localizada próximo ao fígado e que tem a função de armazenar bile, um líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão de gorduras. Dietas, sedentarismo, diabetes, hipertensão e predisposição genética são alguns fatores que podem contribuir para a formação de pedras na bile.

Rosa sente dor principalmente depois que se alimenta e segundo um dos médicos que a examinou, sua vesícula está inflamada e pode estourar a qualquer momento – por isso a urgência no pedido da cirurgia, já que há risco de morte pela possibilidade de infecção generalizada.

Ela compara a dor a algo mais intenso que cólica e conta que sua barriga fica tão inchada que as pessoas acham que ela está grávida. “É [uma dor] tão forte que dá a impressão de que tem algo apertando. Tenho vontade de comprar morfina porque o analgésico às vezes não dá conta”, explica.

Quando a dona de casa liga ou vai ao hospital a procura de um parecer, dizem que não há previsão para realizar a cirurgia.

Rosangela fazia faxinas em casas de família, mas as dores a impedem de trabalhar e a casa é mantida com o salário de seu marido, que é caminhoneiro. “Eu não aguento abaixar porque dói muito. Se eu não tomar remédio, só fico deitada porque a dor vai e volta todos os dias”.

No desespero, a alternativa foi pesquisar o valor da cirurgia num hospital particular e Rosa se assustou ao se deparar com o valor de R$ 12 mil. “É uma humilhação correr atrás disso sendo que é um direito nosso”.

Com os exames pré-operatórios datados de um ano atrás, ou seja, vencidos, Rosa passou em consulta no Centro de Especialidades da Mulher, também em Itaquaquecetuba, na última sexta-feira, 16. O médico deu a ela um novo encaminhamento para a realização dos exames pré-operatórios e assim o caso se prolonga sem solução.

Rosa fala do receio de algo se complicar, principalmente por ter duas filhas de 12 e sete anos de idade e um filho de 11: “Tenho medo de morrer e deixar meus filhos pequenos”.

 

Outro lado

Procurado, o Hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba agendou uma consulta com a Cirurgia Geral na próxima quarta-feira, 21, para que ela apresente os exames já realizados e dê prosseguimento com as etapas de pré-operatório.

“Vale esclarecer que a última ocasião em que a paciente esteve no hospital foi em 23 de novembro de 2015, quando passou por consulta com o cirurgião. Após essa data, não consta sequer passagem dela pelo pronto-socorro da unidade”, finaliza a nota.

Gazeta Regional

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