“Dos 15 pré-candidatos a prefeito, apenas três são do município, e eu sou um deles”

Foto: Divulgação

 

Pré-candidato a prefeito de Itaquaquecetuba pelo Partido Pátria Livre (PPL), o advogado Gilson Pereira dos Santos, o Dr. Gilson, entende que barreiras criadas pela própria administração municipal impossibilitam o desenvolvimento econômico e social da cidade. Defendendo que os obstáculos estão diretamente ligados à velha maneira de se fazer política da atual gestão, Dr. Gilson está elaborando um projeto de governo que, na visão dele, irá renovar o modo como se administra o município. Ao garantir que o PPL lançará candidatura ao Executivo de Itaquaquecetuba, o advogado indicou pontos que serão discutidos com a população em momento oportuno. Confira os principais trechos da entrevista a seguir.

 

Por Lailson Nascimento

De Itaquá

 

Gazeta Regional (GR): Doutor Gilson, quais devem ser suas principais bandeiras numa eventual candidatura?

Gilson dos Santos: Quero valorizar as pessoas que são da nossa cidade e que conhecem a realidade de Itaquá. Quando as pessoas me perguntam sobre Plano de Governo, costumo dizer que não é preciso inventar a roda. Tudo já está aí. Dessa forma, num eventual governo, quero seguir aquilo que está escrito no Plano Diretor. A cidade tem várias Câmaras Setoriais discutindo o que é bom para Itaquá. Temos fóruns que contam com a participação do Poder Público, da sociedade civil e de instituições como Fatec, Etec, as universidades, e já há várias temáticas para se criar um Plano de Governo que seja independente de quem estiver no cargo do Executivo. Tem que vir do povo para nós. É lógico que nós temos nossas ideias, mas não dá para dar sapato 44 para todo mundo. Outra plataforma do PPL é o combate à corrupção. Ao nosso ver, quando se combate a corrupção, sobra dinheiro para investimentos na educação, na saúde, e para tudo o que é inerente ao município. Itaquá precisa de prefeito que seja prefeito e vereador que seja vereador. A população não quer uma cidade assistencialista, onde tudo é uma troca. Quando tudo é uma troca, se você cria um bom projeto, mas não tem nada de bom para me dar, o projeto é engavetado. Não queremos mais esse tipo de coisa.

 

GR: Como se pode valorizar melhor o cidadão itaquaquecetubense?

Gilson: A começar pela geração de empregos e renda. A cidade tem três estações de trem. Se você for lá a qualquer momento do dia e, principalmente, nos horários de pico, sempre estará lotado de gente indo trabalhar fora da cidade. Portanto, este é o ponto principal para Itaquaquecetuba. Como resolver? Nossas indústrias estão indo embora. Tínhamos uma grande quantidade de indústrias há dez anos, mas hoje temos uma média de 270. Mas já tivemos mais que o dobro e foram quase todas embora. Ainda temos o maior parque fabril da Zona Leste, porque São Paulo já não tem mais para onde crescer. Então, nós precisamos fazer com que as indústrias fiquem aqui e que outras venham, para gerar mais empregos.

 

GR: Nessa linha de se valorizar o cidadão itaquaquecetubense, o atual prefeito sofreu muitas críticas por ter ‘importado’ secretários da região do Grande ABC. Como o senhor avalia a situação?

Gilson: No município, que tem quase 400 mil habitantes, não é possível que eu não consiga ter 23 secretários para tocar as Secretarias que temos. Temos ótimos técnicos em Itaquá e eu não preciso importar ninguém. Tenho que valorizar quem é daqui, até porque é a população local que conhece a realidade do município.

 

GR: Como está o setor de saúde?

Gilson: Nós vivemos um caos na área da saúde, e o problema é de gestão. Temos um monte de hospitais, mas não temos médicos. Dinheiro vem bastante para a saúde.

 

GR: E a área da educação, como está?

Gilson: Volto a dizer que é um problema de gestão. O setor tem mais dinheiro que a área de saúde, mas falta contratar profissionais mais qualificados e ter os equipamentos públicos de fato prestando o serviço que a população necessita. Temos ótimos profissionais, mas eles não são valorizados como deveria acontecer. A administração pública deveria investir mais na qualificação dos profissionais. Temos ainda o caso da merenda escolar, cuja verba é de R$ 14 a R$ 15 milhões, mas as crianças vão para a escola e comem meio pão com meia salsicha. É muito dinheiro e pouco investimento na merenda.

 

GR: Existem outras deficiências do município?

Gilson: Sim, temos grandes problemas na malha viária. Se acontecer alguma coisa na estrada de Santa Isabel, acabou Itaquá. Sem acontecer nada já é uma caos. Não é uma coisa difícil de se resolver. A cidade não é a mesma de dez anos atrás. Somos um grande município, com fluxo muito grande de carros, e todo mundo passa por aqui. Pessoas de Poá e Suzano que vão para São Paulo acabam passando por dentro de Itaquá. O Rodoanel, nós pensávamos que seria um grande benefício, mas foi mais um malefício. No transporte coletivo, de igual forma. Hoje, a empresa que tem a concessão do serviço acha que nós somos uma cidade de 70 mil habitantes. Com os ônibus que rodam aqui, mal dá para atender uma população desse tipo. Precisaria dobrar a frota para atender com qualidade.

 

GR: A atual administração tem algum ponto positivo?

Gilson: A atual administração não tem nenhum ponto positivo. Itaquá já estava na idade das trevas e a atual administração colocou um pouquinho mais. Não tem ponto positivo nenhum. Negativo tem muitos. No Alto Tietê somos a cidade mais atrasada.

 

GR: Na visão do senhor, o que faltou para o Mamoru?

Gilson: Criação de projetos que gerem recursos para o município. Não adianta estar no partido do governador se não se faz projetos para vir os recursos. Até os conselhos, que fazem a votação e aprovação para a celebração de convênios o prefeito destituiu. Temos um prefeito que é médico e destituiu o Conselho de Saúde. Tudo o que acontece de bom ou ruim é de responsabilidade do prefeito.

 

GR: Quais são as principais diferenças do senhor para o atual prefeito e os outros pré-candidatos?

Gilson: O diferencial é que eu gosto muito dessa cidade, tenho os meus negócios aqui e quero que ela melhore. Dos pré-candidatos que estão aí, temos apenas três dos quase 15 que são de fato de Itaquá. Eu sou um deles. Estou nesta cidade há 30 anos e realmente quero fazer da cidade um lugar melhor. Nós nunca tivemos uma administração voltada para o povo, mas sim de exploração. Vivemos o momento dos novos políticos, e não dos velhos políticos, que estão com os dias contados. Esse é o momento de renovação. O povo quer mudança, chega do rouba, mas faz. Nós queremos alguém que faz, e a marca da nossa administração será a boa gestão do dinheiro público e o combate à corrupção.

 

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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