Eleição 2020: A importância das pré-candidaturas de pessoas LGBT

A representatividade ainda é baixa, mas muito necessária para que haja políticas públicas voltadas a essa comunidade

Por Giovanna Figueiredo / Foto: Divulgação

Nas eleições de 2016, de acordo com dados levantados pela ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), houve 392 candidatos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis) ou aliados à causa. Do total, 38 foram eleitos no país, sendo cinco ao cargo de prefeito e 33 de vereador. Em Mogi, houve apenas três candidatos comprometido com as pautas LGBT, mas nenhum venceu o pleito.

Dos cinco prefeitos citados na pesquisa, quatro são LGBT sendo três homens gays e uma mulher lésbica, e uma é aliada da causa. Já no caso dos vereadores eleitos, 17 são LBGT e 16 “aliados”.

Ainda nas eleições municipais de 2016, de acordo com o levantamento da ABGLT, apenas três candidatos mogianos LGBT assinaram o compromisso com as pautas da comunidade, todos pelo PSOL, são eles: Alexandra Braga, Alexandre Herculano Silva e Mário Sérgio Barbosa.

Nas eleições nacionais de 2018, foram eleitos seis deputados estaduais, três deles em São Paulo, um deputado federal e um senador assumidamente LGBT.

As eleições desse ano ainda estão na fase de pré-candidaturas, mas alguns nomes da comunidade têm figurado no cenário político. Para falar sobre esse assunto, a GAZETA bateu um papo com dois pré-candidatos a vereador da cidade, Thiago Batalha (PODE) e Alexandre Herculano Silva (PSOL).

Thiago Batalha

Batalha conta que a política sempre esteve em sua vida, mas nunca teve a pretensão de se candidatar a cargos eletivos. Em 2016 ele passou a integrar o movimento “Vamos ocupar a cidade”, idealizado pelo vereador e pré-candidato a prefeito Caio Cunha (PODE).

“No movimento, aprendi que deveria me posicionar nas questões políticas, se queria transformação ela teria que começar das minhas atitudes. Passei a engajar esse grupo de pessoas comuns que estão em busca da transformação do Brasil através de Mogi das Cruzes, a partir daí e do pedido das pessoas, o que me surpreendeu muito, foi que decidi me tornar pré-candidato”, explicou Batalha.

A pré-candidatura de Caio Cunha a prefeitura é vista por muitos como conservadora, no entanto, quando questionado sobre isso, Batalha, que convive com o político e faz parte de seu movimento, afirma que é uma visão equivocada, que Cunha gosta de pessoas e sempre lutou por pessoas.

“Independe de religião, cor e sexo, o Caio gosta de pessoas. Um exemplo disso é que ele foi o único vereador que lutou para trazer a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) para a cidade.”

Quando questionado sobre a importância de candidaturas LGBT em Mogi, Batalha afirma que é fundamental para que as necessidades da comunidade sejam colocadas em pauta, mas ressalta que um vereador é eleito para representar toda a população, portanto a causa LGBT não pode ser sua única bandeira.

“Nós temos que verificar quem realmente vai lutar pelas pessoas, é muito fácil nesse momento aparecer pessoas dizendo que vão lutar por isso ou aquilo, mas sem mostrar nada concreto. Que cada um possa observar quem vai lutar mesmo, porque palavras são jogadas ao vento. Convido todo mundo a conhecer meu trabalho, que faço há 10 anos, quero que saibam que independente de qualquer classe que faço parte ou bandeira que eu venha a levantar, vou lutar por pessoas, meu objetivo é mudar o Brasil através de Mogi”, finalizou.

Alexandre Herculano Silva

Mais conhecido como Herculano UP, proprietário da UP Club Mix, casa noturna voltada ao público LGBT da região, desde 2005, começou sua militância política no PT e após a fundação do PSOL passou a integrar o partido que está até hoje.

Herculano é membro fundador do Fórum Mogiano LGBT e vem lutando pela criação do Conselho Municipal LGBT, projeto que está parado na prefeitura. Participou da organização de duas paradas LGBT em Mogi – esse ano, devido à pandemia do novo coronavírus, o evento foi online.

“A importância da candidatura de pessoas LGBT, primeiro é de gerir, incentivar e cobrar políticas públicas para a comunidade. Também mostrar que nós, pessoas LGBT, podemos estar em todos os espaços da sociedade, que nós não somos mais do que ninguém, mas também não somos menos”, ressaltou.

No final, Herculano também deixou uma mensagem à população mogiana.

“Peço que o eleitor valorize muito o voto, que não o venda e nem troque. Vamos trocar toda aquela Câmara, quem está lá já teve sua oportunidade de fazer. Peço oportunidade para ter a confiança do Mogiano e mostrar que um LGBT assumido pode fazer muito pela nossa cidade.”

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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