Em Itaquá, sessões da Câmara Municipal começam com atraso, duram cerca de 20 minutos e são estéreis

Decretos, geralmente aprovados por unanimidade, são quase sempre sobre mudanças de denominações, títulos de cidadania e datas municipais. Foto: Divulgação

 

Renan Xavier

De Itaquá

 

O Gazeta Regional acompanhou todas as sessões da Câmara Municipal de Itaquaquecetuba no mês de maio. O exercício foi decepcionante. Em várias sessões, o público deixou o Plenário claramente indignado com a atuação dos parlamentares.

Imagine uma pessoa que nunca esteve em Itaquaquecetuba. Alheia a qualquer informação do município, esse incauto desembarca na Câmara Municipal, numa terça-feira qualquer. Lá, os nobres vereadores gastam modestos 20 minutos semanais (tempo médio das sessões) com a inclusão de datas no calendário oficial, como o “Dia do Pastor” (indicação ver. Luiz Otávio da Silva, Luizão) e “Dia da Melhor Idade” (indicação ver. Edson Moura), concessão de títulos de cidadania ou a alteração do nome de ruas, logradouros e praças, como uma viela que passou a se chamar “Lua Adversa” (indicação ver. Edson Moura). Provavelmente esse visitante deduziria que o município não tem problemas sérios a serem resolvidos.

A Casa de Leis, presidida pelo vereador Wilson dos Santos (PTB), o Wilson Pirata, mais parece um encontro de comadres. Lá, nada se discute. Praticamente tudo é aprovado por unanimidade, talvez porque a relevância dos decretos e projetos de lei propostos seja quase nula.

Na Câmara, 17 dos 19 vereadores são da base do prefeito Mamoru Nakashima (PSDB). A exceção fica por conta do par Silvani de Paula Lima (PP) e Roque Levi Santos Tavares (PSD), o Dr. Roque. O último, no entanto, embora se gabe da imagem de opositor, exibe uma atuação, no mínimo, apagada.

 

Atrasos

O Gazeta Regional esteve em todas as sessões realizadas no mês de maio e constatou que elas duram, uma média, 20 minutos. A do dia 24, por exemplo, teve início às 17h46, com quase uma hora de atraso, o que é corriqueiro. O final da sessão foi às 18h10, pouco mais de 20 minutos depois.

 

Realidade

Itaquá é o último município no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal em toda a região do Alto Tietê, amarga as piores colocações em avaliações de educação. É a pior cidade em toda a Grande São Paulo no Índice de Vulnerabilidade Social e a infraestrutura urbana é uma das mais precárias do Estado.

 

Gazeta Regional

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