Equipe do LEIA é agredida e ameaçada de morte em Caraguá

Banditismo – Tato Aguilar é suspeito de liderar bando que após roubo e agressão ficou na dúvida se deveria “bater ou matar” os funcionários do jornal   

Por Aristides Barros / Fotos: Bruno Arib

Um grupo formado por ao menos sete indivíduos não identificados que, suspeita-se, estaria recebendo ordens de Renato Leite Carrijo de Aguilar, 36 anos, vulgo Tato Aguilar, interceptou, agrediu, roubou e ameaçou de morte as equipes do jornal LEIA que distribuíam o periódico em Caraguatatuba. O suspeito de ordenar a ação atua como vereador no Legislativo caraguatatubense.

Nas duas ocasiões os funcionários foram ameaçados. Em uma delas, o entregador deixava exemplares do LEIA na sede da prefeitura, quando Tato Aguilar desceu de um Chevrolet Agile preto de placa EZF-9225- Caraguatatuba/SP e fez uma ligação telefônica para alguém perguntando: “É para bater ou para matar?”.

O funcionário não entendeu e continuou o seu trabalho de distribuição. Minutos depois chegava a informação de que funcionários ligados à administração municipal estariam “recolhendo” jornais nos pontos da área central da cidade onde o periódico havia sido entregue. “Por isso entendemos que eles já estavam nos seguindo desde que chegamos na cidade”, falou um dos diretores do jornal que sempre acompanha a distribuição.

SUFOCO – Também na área central outra equipe de distribuição viveu momentos tensos com agressões verbais e físicas, ameaças de morte seguidos do roubo dos jornais, que foram arrancados com violência das mãos de três integrantes do LEIA – inclusive do diretor-responsável do Grupo Leia Comunicação, empresa que edita o periódico.

O diretor da empresa recebeu chutes e empurrões dos indivíduos que falaram a ele que o mesmo “dessa vez sairia andando da cidade, mas da próxima vai sair deitado.” O termo soa como uma ameaça velada de morte, recurso geralmente utilizado por bandidos para intimidar as suas vítimas.

Os outros dois integrantes da equipe de distribuição, entre eles uma mulher, também foram ameaçados de espancamento. “Vocês vão sair daqui com a cara toda ensanguentada”, disse um dos indivíduos ao tentar tirar os jornais da mão do entregador. O funcionário reagiu: “Você quer jornais? Então toma”, e jogou os exemplares no rosto do agressor.

Informações passadas à redação, de pedestres que presenciaram as cenas, deram conta de que entre os sete indivíduos, além de Tato Aguilar – que usaram dois carros na ação: um carro prata, de placa não identificada, e o Ágile preto – haviam funcionários que seriam ligados à Prefeitura de Caraguatatuba e dois policiais militares aposentados.

Um dos agressores, identificado pelo nome de Cláudio, falava a todo instante que eles eram policiais e que não adiantava a equipe ir à Delegacia da cidade: “Porque eles (agressores) eram a polícia”.

O mesmo “Cláudio” teria indagado o diretor do Grupo Leia Comunicação se ele tinha autorização para distribuir o jornal na cidade e em seguida vociferou: “Você quer se preso agora?”.    

TENSO – Seguida por várias quadras da área central da cidade, a equipe de distribuição se “refugiou” no prédio do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), onde os agressores não ousaram continuar a perseguição. Após sentirem que a perseguição havia cessado a equipe saiu do local e rumou para Mogi das Cruzes, onde fica a sede do periódico.     

A direção do jornal LEIA condena a ação do grupo e o ataque à Liberdade de Imprensa em Caraguatatuba, e lamenta que um integrante do Legislativo do município figura na condição de suspeito de participar do ato violento.

CLÃ DA PESADA – Tato Aguilar é irmão do atual prefeito de Caraguá, Aguilar Junior. Ambos são filhos do ex-prefeito José Pereira de Aguilar, que recentemente se complicou com a Justiça quando teve o pedido de apreensão de seu passaporte e sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Ele teria entregue a cópia da ‘carteira de motorista’ ao invés do documento original. Pelo deslize, José Aguilar foi repreendido pela Justiça.

Já o chefe do Executivo, Aguilar Junior, enfrenta uma Comissão de Investigação no Legislativo da cidade decorrente de irregularidades na instalação da RCC (Usina de Beneficiamento de Resíduos da Construção Civil). O equipamento foi feito sem a permissão da Cetesb, entre outras problemas apontados.

A família de políticos enfrenta um verdadeiro inferno astral piorado com a recente ação onde a suspeita de ataque à Liberdade de Imprensa recai sobre o parlamentar.

O LEIA vem fazendo reportagens sequenciais sobre as oscilações do governo municipal que afetam a população da cidade.

VEREADOR AFIRMA QUE FICOU ENVERGONHADO COM ATITUDE DO ‘COLEGA”

Fernando Cuiú

O vereador caraguatatubense Fernando Augusto da Silva Ferreira (PSB), o Fernando Cuiú da Padaria, afirmou que na condição de parlamentar se sente envergonhado de saber que uma pessoa que está ao seu lado é capaz de partir para as agressões contra pessoas que estão trabalhando para informação à população. “Fico espantado com a atitude lamentável”, frisou.

“É um jornal que vem apresentando um trabalho diferenciado e eles não estão acostumados com isso, não estão acostumados com a oposição. Estão nos ameaçando também por sermos contra o empréstimo de R$ 152 milhões que a prefeitura quer fazer. Estão nos pressionando, mas isso não nos assusta”, falou Cuiú. 

Perguntado sobre o caso, o presidente da Câmara de Caraguá, Francisco Carlos Marcelino (Cidadania), o Carlinhos da Farmácia, disse que procurou o vereador Tato Aguilar para ter mais informações e o parlamentar suspeito disse desconhecer a acusação.

A Prefeitura de Caraguá foi questionada da violência contra a equipe do jornal em função de ter sido apontada a participação de funcionários que seriam ligadas à administração municipal. A prefeitura respondeu que: “não tem conhecimento de qualquer ocorrência nesse sentido”.  

O jornal entrou em contato com a SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) devido a um dos agressores ter afirmado ser policial. A Secretaria se colocou à disposição do periódico para mais informações sobre o episódio.

Gazeta Regional

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