Estupra, mas não mata

Esta semana, o Senado aprovou um projeto que aumenta a pena no caso de estupros coletivos e penaliza a divulgação e distribuição de imagens do crime. O assunto veio à tona mediante o caso da adolescente estuprada no Rio de Janeiro por mais de 30 homens e que ganhou repercussão nacional. Parafraseando o que foi dito pelo ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, com a máxima do “rouba, mas faz”, o “estupra mais não mata” sempre foi um ato comum entre as mulheres, que cada vez mais são agredidas pelo machismo com o qual os homens são ensinados desde pequenos a praticar.

É fato que a maioria deles não é culpada pelos seus atos, tendo em vista que já desde pequenos são ensinados a olhar para a mulher como um ser inferior, frágil, de menos força bruta e que foi feita para ser usada e abusada, principalmente no que se refere aos trabalhos domésticos.

Vivemos numa sociedade preconceituosa e machista, onde o homem ainda ganha mais do que a mulher na maioria das funções; onde, mesmo trabalhando fora, ela tem de dar conta de todo o serviço doméstico; onde ela só serve para a cama ou para satisfazer seus desejos mais eróticos e mundanos. E por aí vai.

Sem falar que há muito a sociedade já aprovou o fato de muitas músicas, principalmente as do ritmo funk, cujas letras colocam a mulher como vadias, vacas, vagabundas, cadelas, debochadas, danadas…, e cujos vídeos – é o caso da música “Baile de Favela” e “Taca Taca” – já tiveram mais de 100 milhões de visualizações, arrasam a figura feminina, chamando-a de danada, debochada. Este último diz: e “os menor preparado para f…” (vejam a letra no site Letras); uma vergonha nacional… Dá até medo só de ler. Uma depravação em alta escala.

E a imprensa faz desses cantores ídolos e fenômenos da música. Agora, por que do espanto, quando eles mostram a sua verdadeira face? Isso já era de se esperar.

Em resumo, o Congresso deu a resposta para tanto machismo: estupro individual pode. Mas coletivo, não.

 

Gazeta Regional

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