Greve derruba Viação Bertioga e marca vitória dos trabalhadores

Cai o poderio da permissionária do transporte por meio da força dos funcionários

Por Aristides Barros / Foto: Bruno Arib

O final dramático dos dias de atuação da Viação Bertioga no município, confirmado na quarta-feira (14) – após a prefeitura cancelar o contrato da empresa, que expiraria somente em 2025 – é o saldo de uma luta que de um lado teve a força dos trabalhadores e, de outro, a revolta da população usuária do serviço, com ambas as partes cansadas de humilhações e de terem seus direitos desrespeitados.

A queda da empresa veio na quinta greve registrada este ano, com duração de seis dias (09 a 14 de outubro) e que a Viação Bertioga respondeu com a demissão em massa de funcionários. O gesto fez a prefeitura bertioguense, que mantinha distância dos problemas no transporte público, antecipar o fim do contrato, realizando tardiamente uma ação há anos ansiada pelos bertioguenses, necessitados de transporte de qualidade.

Em nota à imprensa, a administração municipal revelou que vai fazer um contrato emergencial para que outra empresa assuma o transporte público.

A missão de levar os trabalhadores e a população em geral de casa para o trabalho (e vice-versa) e a outros compromissos tem sido realizada pelas lotações, que têm a simpatia popular, mas são duramente combatidas pela prefeitura, que classifica o sistema alternativo de transporte clandestino.
A ação das lotações, que tem sido “uma mão na roda aos trabalhadores”, sofre com a apreensão de carros e a constante aplicação de multas aos motoristas que prestam o serviço.

Virada

O Sindrod (Sindicato dos Rodoviários), que ficou ao lado dos funcionários da Viação Bertioga no transcorrer do movimento grevista, disse que seu Departamento Jurídico vai tentar reverter as demissões por justa causa, notificadas aos trabalhadores na quarta-feira (14) por meio do aplicativo Whatsapp.

A entidade sindical vai atuar no sentido de garantir que sejam pagas as verbas rescisórias, além dos benefícios e salários atrasados. A categoria já estava sem receber há mais de 40 dias.

O sindicato também tentará que a nova empresa a ser contratada em caráter emergencial contrate os funcionários da Viação Bertioga.

O que dia a empresa

Um dos diretores da Viação Bertioga – Mario Marques – voltou a falar que a greve foi julgada ilegal e descumpriu uma ordem judicial, e que por conta disso houve a demissão dos trabalhadores.

Empresa contratada em caráter emergencial já começa a circular

Os ônibus da City Transporte Intermodal começaram a circular a partir das 14h desta terça-feira (20) nas linhas antes operadas pela Viação Bertioga. A contratação da empresa, segundo o BOM (Boletim Oficial do Município), é emergencial com duração de 180 dias, no valor de R$ 750 mil e remuneração de R$ 8,00 por quilômetro rodado.

A pergunta ainda sem resposta é como fica a situação dos usuários que têm cartão de ônibus da antiga empresa e se a City Transporte vai aceitar o pagamento da passagem com os cartões em nome da Viação Bertioga.

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Bertioga respondeu que “o cartão de ônibus anterior (Viação Bertioga) não passa no novo ônibus (City) e que a prefeitura tenta mediar com a empresa antiga (Viação Bertioga) uma forma de quem tinha esse saldo seja reembolsado com o valor.”

Outra informação dá conta de que os funcionários (motoristas) demitidos pela Viação Bertioga foram contratados pela nova empresa.
A City, que também atua desde 1º de fevereiro de 2019 na cidade litorânea do Guarujá, pertence ao grupo Viação Metrópole Paulista, que opera parte das linhas da cidade de São Paulo.

De acordo com a Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), os sócios da City Transporte são: Roberto Pereira de Abreu e a RAAR Investimentos Eireli. A RAAR tem como titular justamente Roberto Pereira de Abreu.
A Metrópole Paulista, antiga VIP Transportes Urbanos, da cidade de São Paulo, é controlada majoritariamente pelos integrantes da família Abreu, que estão entre os maiores empresários de ônibus da capital paulista. (A.B.)

Gazeta Regional

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