Greve derruba Viação Bertioga que tem contrato cancelado e marca vitória dos trabalhadores

Cai o poderio da permissionária do transporte ante da força dos funcionários que cruzaram os braços para reivindicar direitos

Por Aristides Barros / Foto: Bruno Arib

O final dramático dos dias de atuação da Viação Bertioga no município, confirmado na quarta-feira (14) após a prefeitura cancelar o contrato da empresa, que expiraria somente em 2023, é o saldo de uma luta que de um lado teve a força dos trabalhadores e de outro a revolta da população usuária do serviço, com ambas as partes cansadas de humilhações e de terem seus direitos desrespeitados.  

A queda da empresa veio na quinta greve registrada este ano, com duração de seis dias (09 a 14 de outubro) e que a Viação Bertioga respondeu com a demissão em massa de funcionários. O gesto fez a prefeitura bertioguense, que mantinha distância dos problemas no transporte público, a antecipar o fim do contrato, realizando tardiamente uma ação há anos ansiada pelos bertioguenses, necessitados de transporte de qualidade.  

Em nota a imprensa, a administração municipal revelou que vai fazer um contrato emergencial para que outra empresa assuma o transporte público.

A missão de levar os trabalhadores e a população em geral de casa para o trabalho (e vice-versa) e a outros compromissos tem sido realizada pelas lotações, que têm a simpatia popular, mas é duramente combatido pela prefeitura que o classifica de transporte clandestino.

A ação das lotações que tem sido “uma mão na roda aos trabalhadores” sofre com a apreensão de carros e a constante aplicação de multas aos motoristas que prestam o serviço.   

VIRADA – O Sindrod (Sindicato dos Rodoviários) que ficou ao lado dos funcionários da Viação Bertioga no transcorrer do movimento grevista disse que seu Departamento Jurídico vai tentar reverter as demissões por justa causa, notificadas aos trabalhadores na quarta-feira (14) por meio do aplicativo Whatsapp.

A entidade sindical vai atuar no sentido de garantir que sejam pagas as verbas rescisórias, além dos benefícios e salários atrasados. A categoria já estava sem receber a mais de 40 dias.

O sindicato também tentará que a nova empresa a ser contratada em caráter emergencial contrate os funcionários da Viação Bertioga.

O QUE DIZ A EMPRESA – Um dos diretores da Viação Bertioga – Mario Marques – voltou a falar que a greve foi julgada ilegal e descumpriu uma ordem judicial, que por conta disso houve a demissão dos trabalhadores. 

Gazeta Regional

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