Grito dos Excluídos une religiões e movimentos sociais em Mogi das Cruzes

Manifestação tradicional em 7 de setembro teve discursos contra o atual governo federal e pediu por igualdade e justiça

Texto e Fotos: Pedro Chavedar

Com a presença de diversas religiões e movimentos sociais e populares, o Grito dos Excluídos aconteceu neste sábado (7), em Mogi das Cruzes. Dezenas de pessoas se reuniram na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, na Vila Industrial, e caminharam até o Largo do Rosário, no centro da cidade.

Confira fotos da manifestação

Participaram do ato grupos de base da Igreja Católica, representantes das religiões de matrizes africanas, o movimento negro e feminista, o Fórum Mogiano LGBT, Comitê Lula Livre, o PT (Partido dos Trabalhadores) e o PSOL, a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), coletivos culturais do Alto Tietê, além de outros grupos populares da região.

O Grito dos Excluídos trouxe o mote “Esse sistema não vale” e diversos temas atuais foram lembrados durante os discursos, como as medidas do atual governo federal, as queimadas na Amazônia, os assassinatos contra a população negra e jovem das periferias, a prisão do ex-presidente Lula, entre outros. O mandato do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi chamado de fascista e acusado de tirar os direitos dos trabalhadores brasileiros.

Para o padre Paulo da Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM), de Itaquera, o atual presidente é o “esterco do satanás”. O líder católico lembrou ainda que o sangue vermelho das pessoas é a cor da luta e disse que o “Deus do presidente é um monstro, não é o meu Jesus Cristo”. Temas como melhoria da Educação, saúde pública de qualidade, encarceramento em massa, desemprego e as atuais reformas que tramitam no Congresso foram lembradas.

O Grito dos Excluídos contou com a abertura do bispo diocesano Dom Pedro Luiz Stringhini. O líder da Igreja Católica criticou o atual governo federal ao citar o desastre criminoso na Amazônia e disse que estamos em uma democracia ameaçada. Dom Pedro conclamou a luta das forças populares e sociais por uma nação mais justa. O bispo rezou e disse que o Brasil é um país plural, ao lembrar das diversas lideranças religiosas presentes no ato. A maior liderança da Igreja Católica criticou o governo federal e a Vale, mineradora brasileira, ao recitar um poema de Carlos Drummond de Andrade: “O rio é doce e a vale é amarga”.

Para o Padre Dimas o grito é bíblico e necessário. Ele lembrou a última fala de Jesus Cristo na cruz: “Ele deu um grande grito e expirou”. O padre disse ainda que as pessoas querem vida e que a morte já está demais.

O pastor Ribamar, da Assembleia de Deus de Itaquaquecetuba e militante do PSOL, foi enfático ao criticar a relação do atual presidente com as igrejas neopentecostais. Para ele, há pessoas vendendo a palavra de Deus para o bem em prol do bem individual de cada e enganando o povo. Ribamar ainda foi enfático ao dizer que se Jesus Cristo estivesse vivo, não estaria com Bolsonaro, e sim com o povo pobre, preto e preso com o ex-presidente Lula. “Se Cristo estivesse aqui, esse não seria o sistema de Cristo”, enfatizou.

Na parte política, os vereadores Iduigues Martins (PT) e Rodrigo Valverde (PT) discursaram.

Iduigues disse que, no dia da Independência do Brasil, não há nada o que comemorar porque, o que sobrou do país, foi entregue aos Estados Unidos pelo atual governo. “Estamos aqui gritando por um povo que não tem voz e contra um sistema que mata” disse o petista.

Valverde, por sua vez, lembrou que os excluídos não são a menor parte da sociedade. “Tenho certeza que cada um de vocês aqui sofre com a opressão do sistema”, disse o vereador.

A professora Inês Paz e presidente municipal do PSOL lembrou do genocídio à juventude negra em Mogi das Cruzes e dos casos recentes dos jovens assassinados por policiais militares em vários bairros periféricos da cidade.

Diversos nomes foram lembrados, como o da ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018, e de Preta Ferreira, líder do Movimento dos Sem Teto do Centro, presa recentemente em São Paulo. Outro lembrado foi o Papa Francisco.

O Padre Paulo lembrou do argentino que disse que “essa economia mata”. Para Paulo, o povo não tem que esperar mais. “Essa espera é o túmulo”.

Gazeta Regional

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