Impulsionamento de conteúdos na pré-campanha: por que eu não recomendo?

Por Marcelo Vitorino / Arte: Giovanna Figueiredo

Durante as lives que promovo em meus canais, percebi a inquietação de muitos candidatos pela prática do impulsionamento de conteúdos ainda no período da pré-campanha e, diante disso, quero fazer algumas ponderações.

Afirmo sempre em aulas que o tempo é o principal ativo para uma candidatura. É o correto uso do tempo disponível que aumenta ou reduz a chance de vitória.

Campanhas eleitorais profissionais, organizadas, são feitas de forma a obter a simpatia dos eleitores, objetivando a participação durante o período eleitoral e o desejo de voto no dia da votação.

Trata-se de uma construção de narrativa, que ao apresentar conteúdos previamente pensados ajuda a formar juízo de valor no eleitorado. Como toda boa história a ser contada, campanhas eleitorais tem etapas, uma ordem cronológica dos fatos e das ações.

Entrar com ações de comunicação na hora errada pode significar o desperdício do esforço e o municiamento de adversários.

Qual é o momento agora? Falar de propostas? Apresentar número e partido? Falar que concorrerá? Nada disso.

Excluindo as limitações jurídicas, temos que levar em consideração a estratégia de comunicação.

Este é o momento que candidatos e profissionais têm para construir reputação, preparar os canais, organizar os conteúdos que serão divulgados durante o período eleitoral, estudar os públicos que serão ativados e, não menos importante, estudarem as ferramentas.

Impulsionar conteúdos agora seria o mesmo que convidar uma pessoa vegana para um churrasco bovino. Um esforço desnecessário e com poucos resultados para o momento.

Como o período eleitoral ainda não começou, o eleitorado não está pensando no assunto e, dado o momento que muitos se encontram, com a pandemia provocando estragos, ações promocionais de políticos podem ser mal interpretadas.

O eleitor médio costuma escolher o seu vereador na última semana e o candidato a prefeito na última quinzena.

Enfim, se um candidato não fez a lição de casa até agora, faz mais sentido esperar até o 27 de setembro para ações de impulsionamento, período em que as regras estão mais bem definidas.

Ao escolher impulsionar neste momento, candidatos ficam sem o interesse do eleitor e também com suas campanhas correndo risco de judicialização.

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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