Inédito, programa Oficina de Acesso eleva autoestima dos integrantes

Modelo: Com apoio da Serveng, prefeitura insere pessoas com deficiência no mercado de trabalho
Por Lailson Nascimento / Fotos: Laerton Santos

Dados da Adef (Associação das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Sebastião) relativos a 2013 estimam que, à época, existiam cerca de 15 mil pessoas com algum tipo de deficiência no município. Dentro desse contexto, ao menos dois pontos são temas centrais de discussão nesse universo: mobilidade e inclusão no mercado de trabalho.

Para servir como inspiração para entidades privadas e, ao mesmo tempo, atender a demanda de consertos de cadeiras de rodas e de outros aparelhos de locomoção para as pessoas com deficiência, a Prefeitura de São Sebastião criou o projeto Oficina de Acesso.

Lançado no início do mês, o programa, que é inédito no Litoral Norte, funciona em parceria com o Grupo Serveng e é coordenado pela Sepedi (Secretaria da Pessoa com Deficiência e Idoso) e pelo Fundo Social de Solidariedade, além do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador). Todos os colaboradores da Oficina, que recebem salários e benefícios da Serveng, possuem algum tipo de deficiência.

De acordo com a administração municipal, a Oficina de Acesso é o único projeto do Litoral Norte a empregar pessoas com deficiência para consertar cadeiras de rodas danificadas ou quebradas.

Marcos Messias de Almeida, de 53 anos, é um dos integrantes da equipe, que já conta com 11 trabalhadores. À reportagem do Leia, Almeida demonstrou satisfação em fazer parte do projeto.

“Esse apoio que deram pra gente, da Serveng e da Prefeitura de São Sebastião, nós saímos do anonimato. Estamos sendo úteis. É a primeira vez que faço um trabalho como esse. O projeto é muito bom”, elogiou.
Funcionário do Grupo Serveng, o coordenador do projeto Marcos Antônio dos Santos, 24, disse que sente satisfação pessoal em participar da Oficina de Acesso.

“O projeto é muito bacana, pois está dando emprego para as pessoas com deficiência e, ao mesmo tempo, beneficiando os cadeirantes. Em duas semanas de trabalho já liberamos 15 cadeiras e temos mais cinco para entregar aos proprietários na próxima semana. Vale ressaltar que estamos abertos para realizar a manutenção para pessoas de todo o Litoral Norte”, acrescentou.

Apesar de nova, Sepedi cresce em ritmo acelerado

TRABALHO – Jaime Martins (esq.) e Simei Ferreira, da Sepedi

Com pouco mais de um ano de existência, a Sepedi (Secretaria da Pessoa com Deficiência e do Idoso) foi criada, a pedido do prefeito Felipe Augusto (PSDB), para envolver a sociedade e as pessoas com deficiência. Ercílio de Souza é o responsável pela Pasta, cujo trabalho atende cerca de 300 pessoas por dia.

Quem destaca a preocupação do prefeito com o trabalho voltado para esse público é o secretário-adjunto da Sepedi, Simei da Silva Ferreira.

Depois do primeiro passo, ele já sonha com os próximos desafios. “Espero que em 10 anos nós possamos ter uma outra unidade da Sepedi lá na Costa Sul. Não posso deixar de agradecer a boa vontade do prefeito Felipe Augusto. Eu, como pai de uma filha com Down, que é formada e faz mais faculdade, sei da importância disso e trabalho para que outros pais enxerguem o estímulo que eu dei para a minha filha. A Secretaria foi criada justamente para isso.”

Para tocar os projetos, os funcionários foram escolhidos ‘a dedo’. É o caso do diretor responsável pelo PCD da Secretaria, professor Jaime Gomes Martins, que enaltece o trabalho da Sepedi. “É motivo de orgulho pessoal para mim o prefeito ter escolhido a dedo as pessoas que aqui fariam história. Espero que os próximos administradores deem continuidade nesse trabalho e que ele cresça mais ainda. Essas pessoas estavam ‘soltas’ dentro do município e nós conseguimos trazer para um lugar só, com olhar de profissionais experientes e dedicados.”

A diretora do Departamento de Políticas da Pessoa Idosa, Juliana Coelho, fecha a lista de pessoal responsável pela Sepedi.

Gazeta Regional

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