Mãe briga pelo filho que sofre de doença rara: plano de saúde dificulta situação

Na luta, ela pede ajuda para que sua criança tenha mais assistência e menos obstáculos para seguir vivendo 

Por Aristides Barros / Foto: Reprodução

A alegria de ter um filho dá lugar a dor que não termina no parto, dura mais tempo para mães como a técnica de enfermagem Camila Martins, 35 anos. Moradora no bairro do Morro Branco, em Itaquaquecetuba, ela luta pela vida do pequeno Samuel, de apenas 3 anos de idade.

O filho sofre de Niemann-Pick, uma alteração genética rara caracterizada pelo acúmulo de macrófagos em alguns órgãos entre eles cérebro, baço ou fígado. Os macrófagos são células do sangue responsáveis pela defesa do organismo.

O menino não tinha problemas até um ano de vida e, quando passou a apresentá-los, a mãe, que já era conveniada a um plano de saúde da Unihosp Saúde, empresa sediada em Santo André, buscou os benefícios que tem direito, mas começou a ter dificuldades.

“Pago desde fevereiro de 2019 e precisei do plano de saúde em agosto de 2020, quando ele sofreu um derrame pleural, Covid e uma infecção grave de urina. Começaram a negar tudo e consegui atendimento via Justiça. Só assim liberaram fonoaudiólogo, fisioterapia e terapia ocupacional. Isso depois de me humilharem muito”, contou.

“Agora recusam exames que ele precisa fazer”, revelou. “Alegam que meu filho não entra na diretriz, mas ele é epilético, tem uma doença rara, tem anemia hemolítica é asmático, tem apneia”, enumerou a mãe para dizer: “que outras complicações ele precisa ter para se enquadrar na linha de atendimento do plano de saúde?!”.    

Em 2020, a Justiça determinou que a Unihosp fornecesse medicamentos, fraldas e materiais para os profissionais que atendem o Samuel, na própria casa do menino. “Eles negaram alegando que meu filho passava em médicos diferentes. Entrei com novo pedido e espero a decisão judicial”, revelou. Uma advogada ajuda Camila a enfrentar as batalhas contra a empresa nos tribunais.

AJUDA – Técnica de enfermagem, cujo tempo é dedicado integralmente ao filho necessitado de assistência 24 horas, devido a sofrer convulsões com frequência, algumas delas seguidas de paradas cardíacas, Camila sequer pode pensar em arrumar um emprego.

“Não tem como eu trabalhar, tenho de cuidar dele que depende de mim”, diz a mãe.

Ela pede ajuda para comprar a medicação do filho. “Não tenho condições e ele não pode ficar sem os medicamentos”, acrescenta. Os remédios são de alto custo. O menino precisa de Domperidona, Lactulona, Canabidiol. Montelucaste. A mãe calcula que mensalmente deve gastar a quantia de R$ 1 mil para cuidar do filho.

Interessados em ajudar o pequeno Samuel podem fazer qualquer contribuição pelo Pix: 34351587865

O QUE DIZ A EMPRESA – A reportagem contatou a Unihosp, na manhã de sexta-feira (05), que, em nota, disse: “Verificamos que na data de hoje (05/08/2022), não estavam autorizados os seguintes exames: sequência do exoma e exame de array – CGH, mas que já se encontram autorizados, mesmo que os exames acima não estejam contemplados no Rol de Coberturas obrigatórias da ANS, garantiremos a sua realização. Além disso, garantiremos um atendimento personalizado e exclusivo através de uma nova colaboradora da Unihosp Saúde, pertencente ao setor de Ouvidoria que, inclusive já está entrando em contato com a Sra. Camila.

No que diz respeito a dificuldade de atendimento de fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional, desconhecemos esta alegação, para tanto disponibilizamos o atendimento em domicílio (residência do paciente), para melhor atender as necessidades do paciente, a equipe indicada dispõe de capacidade técnica especializada suficiente para acolher e oferecer o melhor desenvolvimento na evolução do tratamento.

Os demais atendimentos que se fazem necessários à melhoria do paciente a Unihosp sempre garantiu acesso aos exames e procedimentos contemplados no Rol de Procedimentos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

A Unihosp informa que, por mera liberalidade e pensando na qualidade e acolhimento ao paciente, oferta sempre que necessário o meio de transporte de forma particular, entre residência e prestador de serviço, sem qualquer custo adicional aos mesmos, corroborando com isso na ocasião de indisponibilidade de atendimento em rede credenciada, efetivamos os serviços de forma particular, com isso rechaça qualquer alegação de recusa por parte desta Operadora em atender os exames da criança.

Ressaltamos que em nenhum momento ocorreu por parte desta Operadora e seus prepostos qualquer ato desrespeitoso com o nosso cliente, pois não compactuamos com tal ato, sendo nosso papel informar e acolher nossos beneficiários, para isso contamos com profissionais altamente qualificados e capacitados para atendimento dentro de nossa rede, oportunamente, lamentamos qualquer inconveniente caso tenha ocorrido, nos comprometemos em averiguar todas as informações relatadas, e tomaremos as medidas cabíveis.”

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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