‘Mogi será o epicentro de transformação do brasil’, diz Caio Cunha

Em entrevista sobre os primeiros 100 dias de governo, o prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (PODE), garantiu: “100 dias sem parar de trabalhar, dedicados a você.” Confira nos principais trechos da entrevista o que a gestão Caio Cunha tem feito pela cidade

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

Arte: Elizeu Silva

Gazeta Regional (GR): Prefeito, o senhor promete transformar o Brasil a partir de Mogi. Essa transformação já começou?

Caio Cunha: Ela já começou desde que a gente chegou aqui. Quando a gente afirma isso, isso quer dizer que a gente quer fazer de Mogi uma cidade melhor, uma cidade referência. É o resultado que a gente quer entregar. Então, a partir do momento que a gente entrou aqui, a gente começou a melhorar muita coisa. Agora, a mudança é um processo. Ela não é num estalar de dedos.

GR: A gestão já conseguiu alinhar o Plano de Governo com a realidade orçamentária do município?

Cunha: As nossas pautas de campanha foram a questão do respeito ao dinheiro público, ou seja, tratar com muita responsabilidade aquilo que é público. Então, desde o começo a gente começou uma análise muito rígida de todos os contratos, de todos os gastos. A gente conseguiu uma economia muito significativa em diversas pastas, justamente para economizar o recurso e investir no lugar em que ele tem que ser investido. A gente entende as diversas necessidades da nossa cidade. Mogi é uma cidade com um potencial incrível e com o dinheiro bem aplicado, onde ele tem que ir, a cidade se desenvolve ainda mais.

GR: E qual foi o volume de recursos que a gente consegue apontar que foram economizados, prefeito?

Cunha: A gente economizou nessa revisão de contratos, nessas renegociações, aproximadamente R$ 20 milhões.

GR: Qual é o volume que o senhor assumiu de precatórios? Neste momento, o senhor vai abrir mão do pagamento e, assim, conseguir investir mais na cidade?

Cunha: Bom, a gente recebeu alguns compromissos da gestão anterior. Agora, mais do que os precatórios, a gente trata a gestão pública com muita responsabilidade. Não adianta só empurrar para a frente. Empurrar isso para um outro gestor, para a próxima administração. Então, a gente tem que assumir, na verdade, fazer nossa parte enquanto gestor. Vale destacar que mais do que dívidas deixadas, houve também um esvaziamento de caixa. Então, por exemplo, só em licença prêmio, o antigo gestor pagou, só no mês de dezembro, R$ 10 milhões, sendo que o limite, por Lei, é de R$ 150 mil. Gente que nem estava esperando isso. É um direito do servidor? É. Mas isso, de fato, afetou. São R$ 10 milhões que hoje a gente sente uma falta, principalmente no combate à Covid.

GR: E quais são as providências que essa gestão já tomou em relação a esses problemas herdados?

Cunha: Agir com responsabilidade, revisar todos os contratos, renegociar, cancelar alguns gastos que tinha aqui na prefeitura e, também, melhorar os processos. Quando eu falo melhorar os processos parece que é só uma medida administrativa, mas, também, ela é econômica. Porque quando o processo interno é bem feito, ele é melhorado, a gente economiza recurso e tempo.

GR: Com relação a este início de trabalho, todos os prefeitos que assumiram neste momento estão vivendo o pior da pandemia registrado até aqui em todo o país. Até que ponto a pandemia prejudicou, se é essa a palavra adequada, o início da sua gestão?

Cunha: Não é que ela prejudicou, ela faz parte do momento. Então, a gente tem que encarar ela de frente. É obvio, se não tivesse a pandemia, a gente estaria em um cenário muito diferente, muito melhor, sem dúvida nenhuma. Eu estou encarando isso de frente, de perto, a batalha contra a Covid e todos os efeitos que isso pode gerar; econômicos e sociais. Então, além da questão da luta na Saúde, tem a questão, também, social. A gente está lançando o programa Mogi Contra a Fome. Ninguém em Mogi das Cruzes vai passar fome. A gente tem isso por missão. A gente esta atendendo todas as famílias. E, obviamente, também, trabalhando para a retomada econômica.

GR: Como está a questão dos auxílios emergenciais mogianos?

Cunha: A gente encaminhou dois projetos para a Câmara. E por quê que precisa ser enviado o projeto para a Câmara, já que é uma medida exclusiva da prefeitura? Porque a gente vai ter que fazer uma reorganização orçamentária. E é por isso que foi o projeto. Então, assim, a gente tem o Auxílio Empresarial Mogiano, onde todas as empresas do Simples Nacional estabelecidas em Mogi podem receber R$ 300 por funcionário registrado, com limite de cinco funcionários, e também o Auxilio Emergencial Mogiano, que é para as famílias em situação de vulnerabilidade. Aí, há um estudo feito junto com a nossa Secretaria de Finanças, com o apoio da Câmara Municipal, para que a gente até aumente um pouco mais. A gente colocou dois meses de R$ 100. Então, a gente está, agora, estudando a possibilidade de aumentar para R$ 120, em dois meses, ou, então, fazer três meses de R$ 100.

GR: E de que maneira vai acontecer esse pagamento? Já existe uma previsão de quando será possível o dinheiro efetivo na conta do cidadão, prefeito?

Cunha: Após a aprovação na Câmara, que eu espero que aconteça já na semana que vem, tem um trâmite de sanção e, aí sim, já está tudo preparado junto com a Caixa Econômica Federal para que seja feito esse pagamento. A gente quer já dar a primeira parcela agora no final abril.

GR: Existe uma expectativa de quantas pessoas poderão receber os dois tipos de auxilio? Quantas empresas, também.

Cunha: O Auxilio Emergencial Mogiano é para aproximadamente 32 mil pessoas. Famílias, na verdade. Já o auxílio empresarial, a gente depende, na verdade, do cadastro de cada um. Porque, na verdade, são muitos, mas nem todos vão cadastrar. Até porque tem uma série de documentos que eles têm que apresentar. Mas há uma variação grande, aí. Em torno de 20 mil.

GR: E a retomada econômica em si, já é possível visualizar como ela se dará? O que a prefeitura já está fazendo para que isso ocorra?

Cunha: A prefeitura, na verdade, não parou. Desde que nós assumimos, tem um trabalho muito intenso da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, com o secretário Gabriel Bastianelli, que já tem trabalhado e antecipado, na verdade, muitas ações. Então, além de todo o suporte nesse período de pandemia, para que as empresas não sofram mais do que estão sofrendo, dando todo o suporte para elas, sendo um grande player de interlocução, a gente tem preparado, sim, um ambiente mais saudável, economicamente para isso. Então, por exemplo, a gente prorrogou o pagamento de IPTU e ISS para o final do ano. O próprio Auxilio Empresarial Mogiano não deixa de ser um fôlego para isso. Então, a gente tem trabalhado. Principalmente para deixar nossa cidade atrativa para a vinda de novas empresas. Agora, interessante é: eu não sei te precisar o dado, mas a gente tem gerado emprego em nossa cidade. Essa dinâmica, na verdade, entre as empresas, entre as indústrias e a prefeitura, tem sido muito boa ao ponto de a gente fazer com que, mesmo num momento de pandemia, as empresas consigam gerar emprego.

GR: Um ponto que a população mogiana tem cobrado bastante é com relação à segurança. Os vereadores, inclusive, sugerem a abertura de bases da GCM nos bairros.

Cunha: Isso, na verdade, a questão de abrir bases nos bairros, faz parte do nosso plano de governo e já está sendo estudado para fazermos. Nosso efetivo da guarda ainda é muito pequeno para a realidade em que a cidade se encontra e, lembrando, a guarda municipal é uma guarda que tem a sua função específica, mas que quem faz, de fato, a segurança da cidade é a polícia militar. Então, assim, a gente tem cobrado insistentemente o Governo do Estado o aumento do efetivo. Não adianta ter só equipamento, precisa ter efetivo. Mesmo assim a gente está chamando mais 35 GCMs para esse ano. A gente analisou os dados do ano passado com os desse ano. A gente atuou três vezes mais. O número de ocorrências foi muito maior, e de resultado. Agora, obviamente que a gente precisa de todo um respaldo do Governo do Estado.

GR: Qual é a marca que o senhor enxerga desses primeiros 100 dias?

Cunha: Choque de gestão. Reorganização. A gente está arrumando a casa. Tem muita coisa que as pessoas não veem, mas que, quando a gente chega em um ambiente novo, se a gente não organiza, não prepara para o avanço, há muita chance de erro depois. Então a gente passou por um choque de gestão; está passando por um choque de gestão.

GR: Queria que o senhor, mais uma vez explicasse o conceito de transformar o país a partir do município. O que a população pode esperar da sua gestão?

Cunha: O conceito é muito simples, na verdade. Quando eu falo que transformar o Brasil a partir de Mogi, além de tornar Mogi uma cidade referência em diversas áreas, isso quer dizer que a gente a nossa parte enquanto cidadão mogiano. Eu falo de transformar o Brasil a partir de Mogi porque eu, porque você, a gente está em Mogi, a gente tem que assumir esse compromisso com o Brasil e com a nossa cidade de fazer a nossa parte. A parte de reclamar qualquer um faz. A gente precisa ter coragem de assumir os desafios e enfrentar para fazer o melhor, para fazer aquilo que acredita que pode solucionar as tantas dificuldades que o nosso país e a cidade vive. Então, assim, isso quer dizer, o resultado do Brasil começa em mim, começa em você. Agora, a grande marca nossa é a proximidade com a população. Toda essa reestruturação que a gente está fazendo nesses quatro meses, e ainda vai continuar fazendo, é justamente para preparar um ambiente onde o cidadão mogiano se sinta mais próximo da prefeitura, tenha acesso efetivo, conheça tudo o que está acontecendo aqui. Então, assim, é uma máquina que, no mínimo, teve uma mudança de um grupo que estava há 35 anos aqui. Então, tem muita coisa que precisa ser reajustada, alterada, e, principalmente, na cultura da máquina publica. A gente tem trabalhado isso com muito esforço, entendendo que Mogi vai ser o epicentro de transformação do Brasil.

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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