Moradores de Ilhabela afirmam que compra de cestas básicas ‘foi roubo’

Molho de tomate, que é encontrado por R$ 1,60, custou ao cofre público R$ 6,80

Por Will Siqueira / Fotos: Bruno Arib

Na semana passada, em Ilhabela, a população ficou, mais uma vez, revoltada com a administração da prefeita Maria das Graças (PSD), a Gracinha, porque há a suspeita de que houve superfaturamento na compra de centenas de cestas básicas que são para abastecer os moradores mais necessitados durante a pandemia de coronavírus.

O TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado) está inclusive investigando as possíveis irregularidades na aquisição dos produtos, os quais foram comprados pela prefeitura no supermercado Baepi, no Centro da cidade. A reportagem tentou falar com o proprietário do estabelecimento comercial, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. O espaço segue aberto para que o supermercado se posicione em relação ao assunto.

A gestão Gracinha já vem adquirindo as cestas básicas no Baepi desde abril. Ao todo, foram efetuadas sete compras, de acordo com as notas fiscais as quais o LEIA teve acesso. Somando as sete notas fiscais recebidas pela prefeitura e assinadas por Marcos José Carvalho Calvo, coordenador da Secretaria de Desenvolvimento Social de Ilhabela, o valor total gasto é de R$ 780 mil.

No dia 6 de abril houve a primeira compra, e o valor pago pela Prefeitura de Ilhabela foi de R$ 104 mil. Das outras seis notas, cinco resultaram nesse mesmo valor; teve uma de R$ 156 mil.

O maior indício de que teria havido um superfaturamento de preços referentes aos produtos contidos nas cestas básicas, é que o molho de tomate Molho Quero, o tradicional – um dos itens cujo valor foi mais exorbitante –, no mesmo Baepi custa apenas R$ 1,60 (a reportagem comprou o produto e guardou a nota da compra), e o mais caro seria o Molho Quero, parmegiana, que, ainda no Baepi, custa R$ 2,30.

Em outros supermercados de Ilhabela, por exemplo o Rosalina, o Molho Quero, tradicional, custa R$ 1,29. Mas por que a reportagem se atentou a esse produto? Porque Gracinha pagou por ele, segundo a nota fiscal de compra, R$ 6,80 – também comprou molhos diferentes, mas pelo mesmo preço: Predilecta, tradicional (R$ 6,80) e Paladori, tradicional (R$ 6,80).

“Está superfaturando, é exatamente isso. É roubo”, afirmou a moradora Tânia.

“É um absurdo. Não tem condições”, disse a estudante Camila Lopes. O morador Milton Pereira também lamentou:

“Tem que colocar na mídia para as pessoas saberem quem está governando a nossa cidade.”

Nova compra

A prefeitura tentou nesta semana executar uma nova aquisição de cestas básicas em caráter emergencial ao enfrentamento à Covid-19, por intermédio de um pregão presencial, porém foi impedida pelo TCE-SP. O órgão de fiscalização suspendeu a sessão pública de processamento do pregão que ia ocorrer na terça (21), às 10h30.

Gazeta Regional

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