Moradores de Itaquá penam com o transporte público na pandemia

No Piratininga, milhares de pessoas que trabalham em Guarulhos se espremem diariamente

Por Lailson Nascimento / Fotos: Lailson Nascimento

A babá Marize da Conceição Santos, 51 anos, mora no bairro Parque Piratininga, em Itaquaquecetuba, mas trabalha no Centro de Guarulhos. Depois de ficar dois meses afastada do trabalho, por conta da pandemia do novo coronavírus, precisou voltar a trabalhar. Se no período protegeu a sua vida, agora se arrisca nos ônibus superlotados responsáveis pelo transporte de milhares de passageiros que circulam diariamente entre as duas cidades.

“Desde que fez o Terminal Pimentas, para nós daqui do Piratininga ficou muito ruim, porque até chegar em Guarulhos demora muito, e agora com a pandemia, tiraram a linha 715 e ficou péssimo, porque o ônibus ia direto. Tem dia que eu prefiro ir pela linha do Armênia, descer na Dutra e ir a pé para o trabalho”, desabafou a babá.

Diante da situação, o ex-vereador de Itaquá, Edson Moura, que no passado criou leis justamente para permitir a circulação dos ônibus de Guarulhos [e de outras cidades] no perímetro do município, decidiu procurar o parlamentar de Guarulhos, Edmilson Souza (PSOL), visando o retorno da linha 715 para o bairro.

“Essa linha é de extrema importância para os estudantes e trabalhadores da região. Não é justo as pessoas pagarem uma passagem tão cara e andarem espremidas. O vereador Edmilson foi solicito ao nosso pedido, entrou com ofício na Prefeitura de Guarulhos e na segunda-feira (29) disse que vai até o Departamento de Transportes pedir uma reavaliação da situação”, explicou Edson Moura.

Municipais

A crise de saúde pública também atingiu os itinerários que circulam somente em Itaquaquecetuba. No Jardim Amazonas, por exemplo, tem passageiro que afirma esperar até quatro horas pelo ônibus.

SEM OPÇÃO – No Jardim Amazonas, ônibus circulam raramente

“Tem dia que a gente só tem dois ônibus. Precisamos sair e não conseguimos. E aí fica esse desespero. Todo mundo reclamava da Júlio Simões (CS Brasil, antiga concessionária), mas a gente era feliz e não sabia. A gente sempre tinha ônibus. Estou passando abaixo-assinado para entregar na empresa e pedir a volta dos ônibus para o bairro”, avisou a artesã Telma Felipe dos Santos, 58, moradora do Amazonas.

O que dizem os envolvidos

A direção da Expresso Planalto, concessionária do transporte público municipal, garante que vai implantar mais um coletivo em uma das linhas que atendem o Jardim Amazonas. A empresa também explica que realiza reuniões diárias, entre técnicos e membros da prefeitura, para avaliar a necessidade de aumento ou redução da frota.

“Estamos operando com 62% da frota de dias úteis, mas atendemos apenas 40% da quantidade de usuários que utilizavam o serviço antes da pandemia”, completou a direção.

Já a Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana de Guarulhos informou que a linha 715 foi suspensa temporariamente.

“Quando está em operação, só tem partidas no chamado horário de pico. O Departamento de Transportes da Prefeitura de Guarulhos informa que a linha atende 650 passageiros/dia, que são contemplados pelas outras em operação: linhas 785, 786 e 787.”

Motoristas que já trabalharam na empresa, entretanto, garantem que o volume de passageiros é muito maior do que o informado pela administração guarulhense.

Gazeta Regional

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