MP deve investigar contratação de filho de vereadora suplente em Santa Isabel

Com apenas cinco meses na prefeitura, o salário do garoto saltou de pouco mais de R$ 300,00 para mais de R$ 2 mil, segundo os holerites

Por Will Siqueira / Foto: Bruno Arib

Fundada no dia 5 de janeiro de 1812 (há 208 anos), mas sendo emancipada de Mogi das Cruzes apenas em 10 de julho de 1832, o município de Santa Isabel – que também teve os nomes de Paróquia de Santa Isabel e Vila Santa Isabel – completou nessa sexta-feira (10) 188 anos. E justamente na semana de seu aniversário, acontece na cidade uma das piores fases de sua administração pública: a gestão Fábia Porto (PRTB) poderá ser investigada pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) por indícios de irregularidades na contratação de um adolescente de 16 anos para trabalhar na prefeitura.

O assunto explodiu, porém, uma semana antes por intermédio da reportagem da GAZETA, na qual o vereador Reinaldo Nunes (Avante), com base em denúncias feitas por funcionários públicos da prefeitura, informou que o adolescente P.L.S.B, filho da vereadora suplente Patrícia Simão, está recebendo mais de R$ 2 mil de salário para exercer o cargo de Assistente de Coordenadoria, cujas funções exigem experiência, isto é, conhecimentos na área e na administração pública.

Detalhe: para ser contratado, o garoto participou de uma seleção feita pelo CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), envolvendo alunos do ensino médio, na qual ficou em sétimo lugar; mas apenas ele foi chamado para trabalhar na prefeitura, segundo Reinaldo Nunes. P.L.S.B. entrou na prefeitura em fevereiro deste ano e deixou de ser estagiário em junho; em um mês como funcionário efetivado já ganhou mais do que em quatro meses de estágio.

“É mais que um absurdo. Trabalhei 35 anos da minha vida e nunca ganhei mais de R$ 2 mil”, diz o aposentado Benune Prado.

“Não acho certo. Tem muita gente que é concursada e não consegue; ele, sem nenhuma formação técnica, consegue sem concurso, não concordo”, enfatiza Ivone Lima.

O morador Thiago Moura também desaprova:

“Um jovem aprendiz não ganha isso. O direito que é para um, é para todos. Têm muitos pais de família que não recebem isso.”

“É muito estranho. Ele está com pouco tempo empregado, ganhando tanto. É coisa para ser investigada”, comenta, intrigada, Cristiane de Campos.

Gazeta Regional

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