Muro de arrimo pode cair morro abaixo e soterrar as esperanças de Vitão se reeleger em Paraibuna

Nos bairros da cidade, moradores seguem incrédulos em uma mudança administrativa significativa; as últimas gestões deixaram a desejar, como revelaram os entrevistados pela reportagem

Por Aristides Barros / Fotos: Bruno Arib

A reportagem encontrou Juliano Pereira, 38 anos, pescando no Rio Paraíba do Sul, no trecho da área central de Paraibuna. Morador do bairro Bela Vista (Cuba), ele expôs a dura situação do município. “Não tem nada, falta lazer, emprego, transporte.”

Perguntado se espera que a cidade seja movimentada com a troca de governantes após as eleições, ele respondeu. “Espero que não movimentem o próprio bolso e aumentem suas contas bancárias.”

Sem crer em mudanças, ele disparou: “Aqui ninguém nunca fez nada por ninguém”, se referindo aos políticos. E, completando, sentenciou com a frase apocalíptica: “Está quase acabando a cidade.”

Embora aparentasse ser calmo, o ‘pescador’ soltou a revolta contida na voz de outras pessoas que o jornal tentou conversar, mas que se reservaram ao direito de não falar. “Moro no Cuba e fica difícil falar todas as dificuldades que têm lá.”

“Quem não tem carro, bicicleta ou moto tem de ‘pegar’ táxi para ir de um lugar a outro, ou precisa de muita disposição e coragem de andar a pé, subindo e descendo morro”, contou, revelando os problemas ocasionados aos moradores devido ao município não contar com serviço de transporte público.

“Nunca vi uma cidade desse tamanho não ter transporte público”, falando que é necessário ter ônibus circulando nos bairros. Pereira, com sua bicicleta, percorre três quilômetros do “Cuba” até a região central de Paraibuna para, entre outras coisas, pescar.

A inexistência do transporte público é refletida nas condições precárias da rodoviária. Ponto de partida e chegada de moradores e visitantes, o local não tem assentos, obrigando as pessoas a se acomodarem da maneira que podem à espera de ônibus que as levam para outros municípios, ou as deixam em Paraibuna para se deslocarem aos bairros paraibunenses.

Sentada na plataforma, Maria Helena, que mora há 15 anos na cidade, havia chegado de São José dos Campos e aguardava “condução” para voltar para sua casa. “Têm as vans que fazem esse serviço, mas os horários são desregrados e, por isso, a gente fica plantado aqui”, detalhou. “A gente precisa de ônibus”, disse, reforçando as palavras do pescador.

No São Guido, muro de arrimo se tornou ‘muro das lamentações

O muro de arrimo na Rua Lino Moreira Alves Leal, no bairro São Guido, que custou aos cofres públicos R$ 207 mil, também está custando caro à paciência da dona de casa Caroline Cristine dos Santos Manoel, 31 anos, que acionou o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) para cobrar respostas da prefeitura sobre a obra que, segundo a moradora, é mal feita.

No entanto, a obra “sobe” até a Rua José Cantinho Filho, onde a moradora reside. O muro que rui a cada chuva que cai deixou a casa de Caroline sob o risco de desabar. “Desde janeiro tento uma solução na Justiça e ainda não tive nenhum retorno. Quando chove, não fico em casa. Saio porque tenho medo de tudo vir abaixo”, disse a mulher.

O temor dela é justificável: em frente à sua residência, parte da rua foi “tragada” por uma cratera aberta pela erosão que se deve à construção do muro de arrimo.

Após falar sobre os riscos que corre, Caroline acrescentou sobre os R$ 200 mil gastos na obra. “O prefeito comeu esse dinheiro.”

A ‘gula financeira’ foi confirmada por Carolyne Louise Prudente de Oliveira, 18. “Demorou três anos para construir esse muro e do jeito que está não resolve o problema. A única coisa que o prefeito sabe fazer é ‘arrancar’ dinheiro da gente e pedir voto em dia de eleição. O nosso dinheiro foi para o bolso deles e a gente só tomou no fiofó”, afirmou.

Líder comunitário acusa a prefeitura de abandonar os moradores do ‘Colinas’

O comerciante Paulo Roberto Gervásio, ao “assumir” a condição de porta-voz das reivindicações do bairro Colinas, em Paraibuna, fala que a localidade sofre problemas e dificuldades semelhantes aos da maioria dos bairros do município. Roberto, como é conhecido o comerciante, destaca que o Colinas tem a agravante de ser muito distante do Centro da cidade, o que o torna mais difícil de ser notado pela administração municipal.

“Fomos abandonados pelo poder público, que não faz nada para melhorar o nosso bairro”, reclama, acrescentando que a localidade tem perto de dois mil moradores.

“Há mais de dez anos estamos largados, esperando que os administradores nos olhem com atenção”, revelou.

Ele saiu de São José dos Campos para se fixar em Paraibuna e faz três anos que mora no Colinas, onde já tem uma chácara há 14 anos. Nesse tempo todo acompanha o bairro e tenta buscar soluções aos problemas. “Acredito que os próximos gestores vão trabalhar por nós, tenho essa esperança”, prevê com otimismo.

A expectativa futura visa ver o bairro com as ruas principais pavimentadas, iluminação pública, escola e creche para os estudantes e as crianças, e todas as benfeitorias que façam os moradores terem gosto de pagar IPTU e verem o pagamento retornando em obras. “Pagamos impostos e precisamos receber os benefícios, uma responsabilidade chama outra”, fala em tom de cobrança.

Alferes Bento espera pavimentação de ruas e não quer ouvir promessas

A reportagem subiu e desceu os morros de Paraibuna, cuja geografia imita os altos e baixos de seu atual momento: com a população altamente descrente em dias bons por conta do baixo nível de trabalho de seus governantes.

Morador do bairro Alferes Bento, Fernando Moreira está dividido em duas esperanças: que a Rua Benedito Tenório da Silva seja asfaltada e que os próximos administradores do município prometam menos e trabalhem mais pela cidade.

“O bairro é populoso, continua crescendo e essa é a principal via de acesso. Em dias de sol é muita poeira e, quando chove, fica intransitável. A gente fica ilhado porque não dá para subir e nem para descer pela rua, seja de carro ou a pé”, disse.

Gazeta Regional

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