No fundo do poço e prepotente

Da Redação / Foto: Divulgação

No início da década de 90, o ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos Acir Filló – que hoje amarga a dureza de seus erros atrás das grades – trabalhava como repórter esportivo. Ainda muito jovem, gostava de cobrir os jogos dos clubes ferrazenses e entrevistar as pessoas envolvidas no meio, atletas e dirigentes. Tinha a sua própria coluna.

Com o fim do jornal que lhe abriu as portas do mundo jornalístico, não demorou muito para começar “carreira solo”, e inaugurou o próprio jornal que, pode-se dizer, foi a ponte levadiça que o levou ao abismo onde caiu.

Algum tempo depois, ao rever o amigo do “primeiro jornal”, falou sobre os planos futuros já desenhados na mente. Discorreu que se candidataria a uma vaga na Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos, seria o vereador mais bem votado, depois seria presidente do Legislativo ferrazense e então prepararia o caminho para ser prefeito do município. Nos planos não havia o projeto de parar na cadeia.

Entre o jornal e os planos futuros se aproximou de políticos expressivos da região do Alto Tietê e do estado paulista: prefeitos, deputados e o próprio ex-governador Geraldo Alckmin. Escreveu trabalhos biográficos sobre alguns de seus “novos amigos”, pois, os velhos, sabe-se lá se guardou na memória já carregada de ambição.

Pela caneta conseguiu a ascensão e pela caneta – de mandatário político e agora de escritor encarcerado – conseguiu chegar ao fundo do poço. O inferno é um pouco mais embaixo, e que Deus não permita ele descer a tal profundidade, pensam os velhos e bons amigos.

Ao menos uma situação trouxe os tempos de profissão. O seu livro retornou de casa para a cadeia o médico estuprador. Os jornalistas são muitas vezes, e por necessidade, prepotentes. No fundo do poço, Filló teve essa boa recaída. Ele deveria ter se mantido preso só ao jornalismo.

Gazeta Regional

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