Nonagenários falam da contribuição com o município e da Salesópolis de ‘antigamente’

Somadas as idades de ambos, os “rapazes” ultrapassam os 183 anos de fundação da estância

Por Aristides Barros / Fotos: Bruno Arib

As idades somadas de Pedro Rodrigues de Camargo e Geraldo Freire de Almeida ultrapassam os 183 anos de fundação de Salesópolis, completados no dia 28 de fevereiro, e também os 164 anos de emancipação político-administrativa do município, que serão completados no dia 24 de março. Pedro tem 90 anos e Geraldo 96 anos: os dois, juntos, somam 186 anos. Portanto, são três anos mais velhos que a centenária Salesópolis.

Brincadeira à parte, cada qual têm suas vidas e a idade avançada, mas o que muitas vezes limita os movimentos dos idosos parece não ser problema para ambos. Pedro e Geraldo surpreenderam os jornalistas quando saíram de suas casas para as entrevistas. Pedro forte, saudável e ágil, porém com problemas de audição. Geraldo tem semblante pacífico, olhos brilhantes e sorriso jovial.

Os dois nonagenários têm contribuições com o município. Pedro, juntamente à sua esposa Hercília Soares Leite de Camargo, ajudaram na elevação do município em estância turística quando, em 1988, foram paulatinamente transformando sua pousada que tinham no Hotel Soares Camargo.

E a história foi assim. “Naquela época, Salesópolis ainda não era estância turística e, para receber o título, precisava ter um hotel. Foi aí que o Pedro e a esposa começaram a ampliação da pousada que passou de cinco apartamentos para 12 apartamentos”, contou à reportagem Antônio Camargo, genro do casal. “O trabalho teve o objetivo de auxiliar a cidade a receber o título”, frisou. Após quatro anos de árduo trabalho, em 2003, acontecia a inauguração do hotel.

Moderação

Geraldo Freire, igual ao seu pai José Freire de Almeida e sua mãe Maria Leite das Dores, nasceu em Salesópolis. Ele já exerceu várias atividades no município, mas a que emplacou seu nome e levou o nome da cidade para fora dos limites do município foi a produção de cachaça, feita no Alambique GF, fundado há mais de 40 anos pelo próprio Geraldo.

Ele trabalhou no local por 32 anos. Há oito anos se afastou, decidindo pela aposentadoria. Com isso, passou a função ao filho Renato, 76, que é ajudado por Erich, filho de Renato, portanto, neto de Geraldo. O negócio passa de pai para filho, marcando três gerações dos Freire. O jornalista até brincou: “Pode-se dizer que ao invés de sangue é cachaça que corre nas veias dos Freire.”

Novamente brincadeira à parte, o Alambique GF produz diariamente 90 litros de cachaça. Os lucros são suficientes para a família Freire se manter. “A gente consegue viver com o que ganha aqui”, diz Erich. “Vendemos para o comércio local, para outras cidades, e os turistas passam para levar a cachaça”, diz, evidenciando o bom movimento do negócio familiar.

Sobre o aniversário da cidade, Geraldo diz esperar que Salesópolis progrida mais, observando. “O progresso traz confusões, mas a gente tem de acompanhar ele, não podemos parar no tempo.” Perguntado se quer ver o salesopolense brindando o aniversário da cidade “tomando uns goles” da cachaça do alambique, o nonagenário sorri. “É uma das melhores da cidade, mas tem de beber com moderação”, arrematou.

Cavalgada

Narciso do Prado, 79, que mora em Salesópolis desde 1957, relata. “A cidade só tinha três carros de passeio. Isso que eu fico admirado, melhorou muito porque naquela época era difícil ir de um lugar para outro, ou era a cavalo ou a pé”, historiou. “A economia era lavoura de batata, feijão e depois veio o eucalipto, e até o gado acabou. Desejo que tudo corra bem para a cidade. Com esse ‘negócio’ de pandemia está tudo enfreado”, disse, se referindo à doença que parou o país

*ATUALIZADO EM 21/03/21

Gazeta Regional

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