O amor é filme

Vida Loka Também Ama
Coluna de Pedro Chavedar / Foto: Pedro Chavedar

Mais um sábado caminhando pelo centro antigo de Mogi das Cruzes. “Moço, tem como você pagar um salgado para gente?”, ouvi de duas mulheres. Passei em um pequeno comércio e comprei duas coxinhas, uma para Paula e outra para Sabrina, essa última trans e já minha conhecida, mas hoje não falarei delas. A história dessa coluna é de Mayara, mulher que chegou um pouco depois com dois terços na mão feitos, orgulhosamente, por elas.

“Você é o fotógrafo né? Você conhece meu amor. O Edsinho. Ele já falou de você”, disse, com a voz acelerada. Com 28 anos, adicta há 15 e limpa do crack há sete meses, a história de Mayara está diretamente ligada ao amor, mais precisamente com a de Edson, que conheço há mais de quatro anos.

“Hoje ele é meu chão, tudo que eu tenho”, me contou, com um brilho nos olhos. Mayara passou, recentemente, por uma tentativa de suicídio ao amarrar uma corda no pescoço e se jogar pela janela; teve problemas com seu tio, que ele a proibiu de se encontrar com Edson. Mas nada disso a segurou. “Vim atrás dele. To na rua com ele e acredito que um dia nossa história vai mudar porque a gente não nasceu para ficar nessa situação. Se a gente tá assim, um dia vai dar certo”, contou, em um mix de felicidade, apreensão e êxtase. “A gente vai arrumar um trabalho, alugar uma casa, ter uma família e viver como a sociedade vive”.

Mayara sonha grande: “É ser feliz com ele o resto da vida”, e completa: “Pelo amor vale tudo. Eu deixei minha casa, deixe minha família, deixei meu filho. Briguei com minha família. Minha família veio atrás de mim na rua e eu não vou largar ele para ir embora. Vou ficar com ele até o fim”.

Porém, algo aconteceu no meio do percurso projetado por Mayara. Encontrei com Edson dias depois: “Você conheceu minha gordinha? Tirou uma foto dela? Tem aí? Ela é o amor da minha vida”, disse, com os olhos cheios de lágrima. Mostrei uma imagem que aparecia apenas a mão de Mayara e ele chorou. “Ela sumiu. Não sei onde está”, contou, com a voz embargada.

Gazeta Regional

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