O Brasil vai voltar às ruas?

Por Lucas Landin / Arte: Giovanna Figueiredo

A América Latina está em convulsão social. Protestos e crises se espalham por todo o continente, desde países muito pobres, como o Equador, até países outrora apontados como modelos para o Brasil, como o Chile.

Mas por que essa onda de protestos não chegou por aqui? Essa é a pergunta que muitos estão se fazendo, principalmente porque o Brasil enfrenta um dos piores momentos de crise de sua história, desde o (desastroso) segundo mandato de Dilma Rousseff.

É muito difícil encontrar uma resposta para esse questionamento. Mas tenho uma hipótese, que se baseia em duas razões: a primeira é o fato de Jair Bolsonaro ter assumido ainda esse ano a presidência da República. Como ainda está no primeiro ano, é natural que a população espere que as mudanças comecem a aparecer a partir de um tempo. Nisso o Brasil difere de quase todos os vizinhos latinos, onde os presidentes estão no meio ou em fim de mandato.

A segunda razão, ao meu ver, é que os partidos de oposição ao governo brasileiro estão focando energias em disputar as eleições, sejam as de 2020, sejam as de 2022. Além disso, o foco também está voltado para causas específicas, e que não mobilizam todo o conjunto da sociedade, como por exemplo a pauta de Lula Livre, principal bandeira do PT.

Essa combinação peculiar de fatores parece acalmar o Brasil. Porém, até quando? O prazo de Bolsonaro está acabando, e logo vai cair a ficha de que ele está seguindo a mesma política neoliberal, de ajustes e redução do Estado, iniciada com Dilma em 2015. Política essa que até hoje não logrou êxito em reduzir o desemprego e dar respostas aos anseios da população.

Acredito que nos próximos meses, há grandes chances do Brasil voltar às ruas, apesar da apatia dos partidos de oposição. Ou será que vamos continuar aguentando calados os desdobramentos de uma crise que parece não ter fim? Veremos.

Lucas Landin é gestor público

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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