O rei está pelado e com a mão no bolso

Da Redação / Arte: André Jesus

É costume ouvir que em uma improvável conversa com um louco a gente tem de concordar com tudo o que ele diz, porque divergir de um louco ou deixá-lo furioso e, a bem da verdade, confrontar um maluco, subtende-se que a outra parte também tem as faculdades mentais um tanto quanto endoidecidas.

Os atos antidemocráticos do 7 de setembro e a volta da razão no pós-dia 7 mostrou dois lados bons do Brasil: que a gente precisa deixar os loucos soltarem todo o estresse e as taras, e, só depois do grande dispêndio de energia, já quando estiver bem cansado, partir para o chamado sossega leão. Porém sem a violência empregada por eles, mas, na dose certa, na mansidão e inteligência necessárias para evitar que doente e tratador acabem se encontrando na mesma anomalia.

O Brasil viu que, após os bois voltarem para atrás dos carros, o clima de aparente normalidade voltou. E em tom nostálgico, devido àquela carta, coisa que, faz alguns anos, saíram demodê. Assim como o voto impresso, a ditadura militar, o estado de sítio e outras patacoadas.

A loucura, porém, quer o passado de volta. Muitos se deram bem nele e, com ele, enriqueceram, aumentaram o poder de vida e morte sobre as pessoas e outras situações que fogem à civilidade.

Com as perdas, o rei travestido de autoridade se desnudou ante os seus súditos. Chutou a todos, meteu a mão no bolso, enfiou a viola no saco e sabe que vai ter de cantar em outras paragens. A sua Roma não se incendiou.

Gazeta Regional

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