Ônibus com documentos vencidos são reflexo do transporte de Itaquá

Quatro veículos da empresa cujas placas foram consultadas pelo jornal têm documentação atrasada

Por Gabriel Dias / Fotos: Bruno Arib

A empresa Expresso Planalto, que opera o transporte municipal em Itaquaquecetuba em caráter emergencial desde 2018, é alvo de críticas e reprovação pela grande maioria dos passageiros que utilizam o transporte municipal desde o início das operações. Se não bastasse isso, a GAZETA constatou que de quatro coletivos flagrados pela reportagem, todos estes estão com IPVA e Licenciamento atrasados, alguns com multas.

A falta de pontualidade, manutenção e segurança são os focos das reclamações. De acordo com ex-condutor que atuou na Expresso Planalto, aos finais de semana o cenário piora, pois o número de coletivos rodando pela cidade diminui drasticamente. “O que supre a necessidade são os transportes alternativos”, reconheceu o ex-motorista da empresa.

O serviço de manutenção, segundo os usuários, é “péssimo”. De cada quatro pessoas que a GAZETA conversou no terminal do Manoel Feio, três disseram que ficaram no meio do caminho por que o ônibus quebrou mais de uma vez.

Outra reclamação são as pinturas dos coletivos: “Tem ônibus colorido de verde e laranja, tem coletivo só rosa, tem só azul, tem laranja, tem verde, tem vermelho, branco e preto […], são várias pinturas que confundem os passageiros. Muitos pensam que é mais de uma empresa, mas não se trata disso”, diz uma fonte que não quis se identificar. As placas dos veículos também integram a desorganização, já que inúmeros veículos são registrados em Minas Gerais.

“Aqui é só pela misericórdia Divina, o transporte é péssimo, o pior da região, falta muita coisa. A grande maioria das pessoas que vivem em Itaquá ou que trabalham na cidade e usam esse serviço têm medo do pior. Se perguntar para qualquer pessoa aqui, todos já ficaram no meio da estrada por que o ônibus quebrou por falta de manutenção. Se você [reportagem] viesse há dez minutos atrás iria encontrar um ônibus quebrado”, explicou a comerciante Ana Mafra, 62 anos.

ATRASADOS – Dos inúmeros ônibus que circulam na cidade de Itaquaquecetuba sob o comando da Expresso Planalto, a reportagem fotografou cerca de quatro deles, e destes, todos estão devendo IPVA, como parcelas atrasadas entre os anos de 2018 e 2019, e licenciamento.

Em números gerais, estes coletivos flagrados pela GAZETA devem aos cofres municipais cerca de R$ 21,5 mil em documentação atrasada e multas. Em um dos casos, um destes coletivos foi multado por transitar na cidade de Poá em horário não permitido – lembrando que a garagem da empresa fica em Poá e não em Itaquá, o que chama atenção de muita gente.

A Prefeitura de Itaquaquecetuba foi questionada duas semanas antes desta reportagem ser divulgada, no dia 13/11, no entanto, até o presente momento, ninguém respondeu. A empresa também não foi localizada para se manifestar.

B.O. – Valdenira Farias, 53 anos, é cadeirante e utiliza o transporte municipal em Itaquá quase todos os dias. Recentemente ela fez um Boletim de Ocorrência contra um motorista que se recusou a parar no ponto de ônibus para ela descer. O condutor a levou a força até o ponto final da referida linha, e segundo Valdenira, ele a todo instante fazia ameaças. O caso aconteceu em 24 de outubro, às 20h. Ambos serão chamados a depor diante do Juiz.

EDITAL – A prefeitura abriu uma licitação para contratar uma empresa de transporte público no próximo dia 20 de dezembro. Segundo fontes ligadas a este assunto, há rumores de que a Expresso Planalto tente participar da licitação, no entanto, isso ainda não foi confirmado. Quando assumiu o serviço, o grupo CSC Transporte e Logística, proprietária da Expresso Planalto, esboçou a intenção de participar da licitação.. Em novembro de 2018, o supervisor de contas do grupo CSC, Gabriel Colaço Fonseca, afirmou que a empresa (CSC) iria participar da próxima licitação.

Gazeta Regional

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